sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Euzito jocoso

Está uma noite escura e fria
E para quem há pouco se ria
Começo a ficar com medo

Mas chego a casa e a calmaria
Contrasta com o que antes sentia
A neura hoje passa-me cedo

Ajuda ver na mesa a manteiga
Com a faca gentil e meiga
Digo isto porque não é afiada

Meigo é mais o lacticínio
Barra-se no pão, com o vaticínio
De encher o bucho, não dizer nada

Não diz nada nem comenta
Mas que bela ferramenta
De usufruir pela cozinha

Para uma mulher me satisfazer
Antes tenho que sofrer
E nunca a deixar sozinha

Já estou com a dita dura
E ela na sua literatura
Mal eu sabia que ela lia

Meu Deus, que raio de tortura
Não vai passar de uma noite escura
E agora ainda mais fria.

doença sexualmente transmissível indeterminada


a sério que o meu centésimo pseudo-coiso foi esta alcagoita aleatória supostamente sexual? É que ainda nem sequer lhe atribuí um significado metafórico. Está cru como o raio. Seja. Porque o Júlio aprecia coisas dessas. Maluquito.

se eu digo que não
é porque não
Não vale a pena te esforçares

se eu digo que não
não vale a pena
mesmo só se me amarrares
  
é melhor não te dar ideias
dar-te coisas pra pensar

De pensar a agir vai meio-tempo
isto se quiseres mesmo atuar
  
Já te disse que não, esquece isso
Esquece lá o assunto, por favor

Não, já te disse mil vezes
não quero que me inflijas dor

Se fores bem a ver
a dor consentida
não tem sequer metade da piada

Dor pedida
Dor encomendada
É equivalente a beber uma limonada

Se queres tanto assim
vá lá, porque não
admito que não me importo nada

Se eu concordar
Vem admoestar
A tua pena mais pesada

Assim já não queres tu, bem me parecia
Eu bem te avisei ainda há pouco

Não chegamos a acordo nesta matéria
Sexual, consensual é igual

Mais tarde chegamos àquilo que fomos
Antes de nos termos encontrado

Esperando esperamos até formulamos
desencontros bem combinados.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Crónica do fim.

Se isto é o fim, não parece muito
Não parece tanto como acho que devia parecer
Mas o meu parecer não influencia o fim
Pelo menos por enquanto

Sem sentido andamos
Sem sentir amamos
E onde quer que chegamos já é tarde

As pessoas passam rápido por mim
Com olhar resignado
Aparentam ter algum tipo de passado

Posso estar errado

Mas diria que o fim não é um princípio
Muito menos um fim

Dizem que é um recomeço
Mas eu digo que é uma desculpa muito mal justificada
Uma desculpa para querer recomeçar
E não um recomeço intrínseco

Para mim um fim é tão meio como o meio
Pelo menos será o meio de alguma coisa
Nada acaba
Não há fim como se pensa que há

Acabam as aulas daqui a pouco
Acaba o mundo daqui a nada
Acaba o B
Continua a fachada

Sorrir, dormir, porque sim
Tentar enganar
Desencantar soslaios de desculpa

Afinal só tinha inspiração até meio
Obviamente isto não é o fim

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Passeio

Dou um passeio

Foi uma ideia que me veio
A ver se me cansava
Pra querer dormir
E de certo modo fugir
A tudo
Aproximando-me

Enquanto passeio
Salvo de pouco, o nada
Oiço o Fachada cochichar
O que é suposto ser uma balada
Mas até gosto assim, deixa estar

Um senhor bem vestido
Uma senhora bem cheirosa
Demasiado maquilhada
Para chegar agora a casa

E sai outra do carro
Mais uma de outro
E eu durante o passeio
Faço que leio
E finjo que compreendo

Dado que aprendi
Sem ser por mim
Suponho muito
E engano-me bastante

Se eu acertasse nas coisas
Acertasse nas horas certas
Não estava a dar um passeio
Mas sim debaixo das cobertas

Ainda só começou ontem