Estou a passear pela rua e, enquanto ouço o primeiro álbum dos Mogwai, transformo-me numa personagem que olha psicoticamente para as pessoas que passam. Isto pode parecer um bocado linear. Um bocado infantil da minha parte. Mas parece mesmo uma banda sonora adequada. Suponho que isto assuste sobejamente as pessoas, dado que também já passaram por mim indivíduos que me assustaram sobejamente com um olhar semelhante. Mas não há razão para se preocuparem. Esta personagem desaparecerá dentro de momentos, tal como a sua memória. Inventamos personagens diariamente para escondermos quem realmente somos. Mas serão essas personagens quem nós realmente somos? É que eu tenho controlo sobre esta personagem. Até lhe posso dar um nome. Uma história. Morrerá em breve. No entanto há personagens que rapidamente se tornam nas pessoas que as criam. E ninguém se apercebe disso. Até uma certa altura em que familiares e amigos dizem "eu já não te conheço.", seguida da altura em que a pessoa se apercebe que já não se conhece. E é aí que meia-hora de reflexão fazia falta. Mas não, vamos passar o resto da vida enganados.
Agora que descobriste o itálico não queres outra coisa.