segunda-feira, 9 de junho de 2014

Metrónomo. Tu, tu, tu, tu.

Se há coisa que me irrita
É ver que és tão bonita
Tão mais bonita quando estás longe

Mas tu és Aquário
Eu sou Sagitário
Suponho que não seja necessário
Falar mais sobre isso

Sinceramente nunca foi

Tenho cá dentro tantos monstros
Enquanto aguento alguns
Outros saem de alguma forma
Outros saem sob a forma

De cartas de amor
Quem as não tem?
Tenho tantas que não ofereço
Sou só eu que não mereço

Este mês teve tantos domingos
Não teve muitos pingos
Podia ter aproveitado
Olho para mim de lado

Sou rapaz, é suposto
Guiar, conduzir, liderar
Sinceramente estou disposto
Enquanto não o estiver a considerar
O maior desgosto
É não tropeçar

Liga-me, chama-me
À parte, à frente
Da fila não sou eu que estou
Alguém ultrapassou
Alguém que tropeça frequentemente

Agora que me tenho penteado
De um modo tão imaculado
Não fico chateado, baseado na estética
Verem em mim uma lésbica

É o que menos me importa

Tenho-me reservado para ti
Reservado permaneço
Esqueço-me de ser feliz
Se não mereço ser feliz
Talvez seja porque nunca quis

Nunca percebi se estes gajos me fazem feliz ou irremediavelmente triste. De qualquer modo, obrigado.

domingo, 1 de junho de 2014

Faço-me tão mal.

Devia haver uma palavra que exprimisse a ideia de uma outra palavra ser usada no sentido figurativo e literal em simultâneo. É tão bom quando isso acontece. Satisfaz-me plenamente encontrar estes pequenos pormenores que por vezes surgem na língua portuguesa.

É demasiado difícil
Falar sobre mim
Sem envolver os outros

É demasiado fácil
Não envolver os outros
Não envolver as outras
Figurativa e literalmente

Um dia finjo bem
Um dia finjo só
Um dia finjo que só
Me sinto bem

Vou tentar envolver-me
Vou tentar não os envolver
Vou tentar pincelar aqui pensamentos
Mascarados de alguma coisa

Não hoje, não amanhã
Que tenho muita coisa para fazer

Apesar de não fazer
Pão nosso de cada dia
Pão nosso que amolecia
Em vez de endurecer

Pão cada vez mais fresco
Cada vez mais claro
Que se eu também quero amassar pão
Eventualmente vai-me sair caro

-

Dou pulos de alegria
Dentro da minha cabeça
Se vejo que alguém se lembrou de mim
Mesmo que eu não mereça
Especialmente se eu não mereço
Mas disso esqueço-me eu cedo
Por momentos perde-se o medo

O medo de estar agora no mesmo sítio
Quem é decente, omite-o
Não tenho medo da indecência
Apenas da constante permanência