quarta-feira, 16 de julho de 2014

Estivação

Não me chega a ventoinha
Para dizimar o calor
Não me chega a caminha
Se ela é um exsicador

Se me falta ar nos pulmões
Não há medida a tomar
Se dispo os calções
Para me ir refrescar
Não penso, não tomo decisões
Ou julgo que não estou a pensar
Mas não tenho intenções
De voltar a inspirar

Se transpiro tanto, tudo
Fico na mesma, indiferente
Faço disso o meu escudo
Contra tanta, toda a gente

Fico em casa, destilaria
Contribuo para a percentagem
De pessoas cheias de atrofia
Mas com excesso de bagagem
Passa um e outro dia
E persisto na viagem
Da moleza dura e fria
Sem do tempo fazer triagem

Estar em pé ou estar deitado
Já nem sequer sei a diferença
Agora até me passa ao lado
A interna dor intensa
Não fico preeocupado
De tu não estares propensa
Espero não ficar neste estado
Durante uma temporada extensa

Não me chega a ventoinha
Para dizimar o calor
Mas dá-me algo que eu não tinha
O vazio de não ter dor

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Mato de Miranda

Não sei
Sei lá
Serei eu?

Entrei no comboio
Já paramos
Reparamos
Por causa do acordo ortográfico
Que isto está cheio
Quando chegarmos a meio
Talvez já esteja
Meio vazio
O que quer que isso seja

Maioritariamente
Pessoas quase idosas
Gente
Inconsciente
Consistente
Senhoras pintalgadas
Do cabelo aos pés
A cara não tem a mesma tez
Que tinha anteriormente
Os senhores aceitam
O cabelo alvo e a calvície
Outra espécie
E outra espécie de solução
Óculos da Chanel
São para ele
Revolução

Tambêm há jovens sonolentos
Face às senhoras rabitesas
Vão ter aulas
Vão ter exames
Menos estudos do que rezas
Esperam passar
Com a certeza
Que não fazem ideia
Se merecem de facto
Se pudessem fazer um pacto
Com o diabo
Já estava na segunda hipoteca
Que é melhor a discoteca
Do que a biblioteca
Para mim tanto me faz

De qualquer modo
Têm todos funções
Todos intuitos
Algo que gostam
Que desprezam

Não me apetece acabar isto
Vocês sabem onde ia dar