Amo com certeza
Amo com toda a certeza
Amo os comportamentos, os risos
Os gestos fugazes
Da natureza, é natural
Que haja certa nobreza no Carnaval
Que é uma folha que cai, finge fugir
Do terno ramo prestes a florir
Que finge por sua vez não se importar
Com a folha que cai, não dá para regressar
Dano com certeza
De ano a ano tenho mais clareza
Mais cultura, mais ciência
Mais dúvida, mais demência
Com eloquência tento fingir não a ter
Tento fingir não ter tanto dano como o que tenho
E falho miseravelmente
Como a folha que cai e finge
Não se importar com o tempo quente
Vira a história a página
E fica a folha para trás
Recordações más se sequer as há
Plano com certeza
Tenho um plano de defesa
Que é esconder nos risos
O arranha-céus de duzentos pisos
Que é a tristeza
Tenho também plano para o futuro
Não passa de um pano escuro
Não é tela nem mural
O que aparecer por trás não me deixará mal
Curo o breu com gargalhadas
Não há tentativas falhadas
Não há tentativas