quinta-feira, 28 de abril de 2011

Carta para mim #14

Acorda, fogo! Mas antes adormece cedo para ver se acordas com vontade de acordar. Senão não vale a pena acordar, não é? Vais acabar por não fazer nada de jeito como de costume. E experimenta estudar um bocado, em vez de ir fazer um teste a pensar que tens tudo na cabeça e nas mãos, na ponta da caneta, do lápis, sei lá! Porque todos nós sabemos que vais a ver não tens a nota que queres ter, apesar de teres a nota que precisas ter. Não és tu que te avalias. Pelo menos não és só tu. É claro que te avalias, mas a tua própria avaliação não vale de nada. Para ti tu és sempre alguma coisa de jeito quando não és nada. E mais tarde não vales nada e talvez sejas quem alguém esteja à espera. Claro que sim. Pensas às vezes alguma coisa de jeito quando é tarde demais ou cedo demais. Nunca acertas no momento certo. Mas a sério vai estudar na vez de estares a construir proto-textinhos pseudo-motivadores semi-metafóricos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Não sei, o criacionismo

Podia dizer que os teus olhos eram planetas, que eram o mar, que eram tudo e nada. Que eram dois pirilampos que sobressaem no meio da noite, principalmente quando está de dia. Podia dizer que eram um jardim, que eram flores ou que eram só pétalas. Mas porque é que haveria de dizer isso, se eles são, efectivamente, olhos. Apenas olhos. E é preciso serem mais do que isso? Serem olhos é o bastante para que sempre que os vejo sustenho a respiração involuntariamente durante uma eternidade. Uma eternidade que dura demasiado tempo e acaba demasiado cedo e quando me apercebo os olhos já se fecharam. Os teus e os meus. Mas os meus já não se querem abrir porque fechados mantêm a imagem dos teus abertos. E se os meus se abrirem e virem os teus fechados, nunca mais se recordarão deles abertos. Mas são só olhos, não é? Desculpem se vi demasiado.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Chupa-me a hybris :D

Se a dor é a variável
A dor suficiente para parar é uma assimptota

Se a vontade é a variável
O agir é uma assimptota

E se o passado nada faz mais
Senão não existir
Eu devia fazer mais que o que ele faz
Mas não faço

Repetitivo, não?

Mas apetece-me jurar que antes ou durante as férias algo ainda vai mudar.