domingo, 28 de outubro de 2012

Crónicas Ferroviárias #02

Ouço coisas

Levo-me a pensar que
A audição é subvalorizada
Brevemente
Imagino o que seria sem ela
Só ver, provar, tocar e sentir
Acho que não me chegava

É um facto

Baixo os olhos
Isto de haver sol chateia
Cega-me
Houvesse um sol que se ouvisse
Aposto que teria mais graça

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Sinceramente não tenho mais nada de jeito para dizer
Considerando que o que eu disse teve algum jeito

Gasto demasiado dinheiro em batatas
Principalmente narso
Terceiro facto que eu escrevo aqui

Mas agora a sério

Vejo árvores
Muitas árvores
A passarem por mim
E não me vêm
Parecem gente

Mas gente que não parece nada
Porque não quer parecer
Podia ao menos aparecer
Não era mal pensado
Pensando bem

Estou entediado
Como sempre

Sim, foi só isto
Batam palmas, ou uma cena assim.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

É menos. Vá, depende.

Espero que venhas
Uso o tempo para esperar

Quem que não tu
Usará o seu para me visitar?
Eles, os outros, estão longe
Rompe a noite
Oculta-te, desoculta-te e aparece

Usa-me e deita fora
Mas usa-me

Chegas mesmo a tempo
Antes talvez fosse demasiado cedo
Falemos um pouco
Um pouco apenas, deves ter pressa
Não trouxeste a fala?
É mais fácil então.

domingo, 21 de outubro de 2012

Crónicas Ferroviárias #01

Digo sempre a mim próprio
É hoje
Tem que ser hoje
Independentemente da situação

Mas raramente me esforço
Para que essa qualquer coisa
Aconteça hoje
Independentemente da intenção

Tenho dúvidas em relação a tanta coisa
Principalmente do que estou a fazer aqui
Independentemente do local
Que eu defino como "aqui"

Mas depois penso
Lá no fim do dia
"Não tem que ser hoje
Não tem que ser, mas até podia"

E as ideias andam à porrada
Na minha cabeça
Até que é tarde
E tenho que ir dormir

Porque o amanhã é sempre mais comprido
Que o hoje
E já dará para fazer
O que quero e não quero

Olho para fora
E vejo o que está dentro
E não me refiro apenas
Ao fenómeno que é a reflexão de luz

Há também a reflexão
Onde pensamos
Ou penso que é isso que acontece

Tenho sempre sono
Só não ressono
Porque não durmo o que quero
Quando quero

Não sei despedir-me
Porque não costumo querer despedir-me
Não sei dar fins às coisas
Porque não costumo querer parar

Muito menos começar.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Batatas refritas

Isto vai ser só um desabafo. Mas sobre nada concreto. Pode ter piada, nunca se sabe. Ou tem uma metáfora demasiado elaborada ou demasiado parva para vocês perceberem. Porque duvido que eu sequer perceba. Visto que me caiu na cabeça assim de repente. Rodeios são divertidos. Not. Cá vai.

Estão a ver, quando fritam batatas? Ficam assim crocantes, fáceis de partir e fazem "tru-tru" na vossa boca. Óptimas! Mas passando um tempo amolecem. Ficam aquele rijo e mole ao mesmo tempo que não tem piada nenhuma. Aquele rijo que não é rijo e aquele mole que custa a mastigar. Tipo antítese, e o caraças. Podem sempre refritá-las. Ficam um pouco mais escuritas mas voltam àquele estaladiço que faz com que comer batatas fritas não seja só um sabor delicioso como uma textura bestial. Paladar feat. tacto. Vá, and Pitbull.

Prosseguindo

Eu sou uma batata.

Lá estava eu plantado, na minha e aparece alguém que me descasca, corta-me aos cubos ou aos palitos, conforme o gosto, e põe-me em óleo a ferver. Eu começo a fritar. A quebrar cm facilidade. A ver a vida a passar mais rápido, a criar cenários ainda mais negativos que o presente, sem carpe diem para ninguém. Passado um tempo acalmo. Estou na boa, no relax. Estou molinho para o que me convém e rijo para o que for preciso. Aproveito os dias. Aproveito as horas. Aproveito os minutos perto de quem gosta de mim e de quem gosto. Porque estou no relax e estou lá bem. Não é ócio nem desleixo. É sorrir para a vida e ela piscar-me o olho. Depois alguém me mete a fritar outra vez. Mesmo que não seja de propósito. E esqueço o que me faz bem. E preocupo-me com nadas.

É isso.

Estou a começar a refritar. Não gosto, mas acho que não consigo evitar.

Por favor não me refritem.

Eu adoro-vos tenrinhos.