domingo, 21 de outubro de 2012

Crónicas Ferroviárias #01

Digo sempre a mim próprio
É hoje
Tem que ser hoje
Independentemente da situação

Mas raramente me esforço
Para que essa qualquer coisa
Aconteça hoje
Independentemente da intenção

Tenho dúvidas em relação a tanta coisa
Principalmente do que estou a fazer aqui
Independentemente do local
Que eu defino como "aqui"

Mas depois penso
Lá no fim do dia
"Não tem que ser hoje
Não tem que ser, mas até podia"

E as ideias andam à porrada
Na minha cabeça
Até que é tarde
E tenho que ir dormir

Porque o amanhã é sempre mais comprido
Que o hoje
E já dará para fazer
O que quero e não quero

Olho para fora
E vejo o que está dentro
E não me refiro apenas
Ao fenómeno que é a reflexão de luz

Há também a reflexão
Onde pensamos
Ou penso que é isso que acontece

Tenho sempre sono
Só não ressono
Porque não durmo o que quero
Quando quero

Não sei despedir-me
Porque não costumo querer despedir-me
Não sei dar fins às coisas
Porque não costumo querer parar

Muito menos começar.

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