quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Analfabeto

Não sei decifrar mensagens subentendidas
Nem percebo porque é que isso existe
Mas a ideia que persiste
É que tenho que ser eu o sincero

Os ingleses chamam-lhe subtexto
Só me parece um pretexto
Para procrastinar porque sim
Um dia destes faço um motim

Mensagens subliminares
Submersas sem sentido
Só me deixam baralhado
Nunca sei se sou só eu
A tombar para o teu lado

Nunca soube ler sinais
Sabem que mais? Nem sequer quero
Enquanto espero pelo teu passo
Arranjo espaço preparo o meu

Passo que nunca darei
Nestas coisas sou coxo
O meu talento, viste-lo
A minha definição está no título

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Calos

Estou um bocado calejado
Daquilo que eu passei
De tudo o que eu dei
Em troca nâo recebo nada
Caminho pela estrada
Que foi a mais percorrida
Pelo menos tenho tido vida
Uma existência preenchida
Sei amar, quero, arrisco
Uso as palavras como isco
Para conversar, conhecer
Começar a convencer
Que quem comigo ficar
Não tem hipótese de melhorar

Bem, isto foi tudo mentira
E isso não é o pior
A certeza ninguém ma tira
Que nunca soube o significado do amor

Sempre que vejo alguém ao meu lado
Fico pensativo
Mas sinto o coração congelado
Nunca fiquei calejado
Nunca se torna significativo

No entanto, por vezes
Fecho os olhos antes de adormecer
Imagino a tua face rosada
Mesmo sem te ver há meses
Não sei o que fazer
Não tenho a certeza de nada

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Ping-pong

Parece estar a chover
Ou é um animal que faz este som?
É estranho, parece computadorizado
Não parece nada concreto
De qualquer modo já parou
Nunca saberei o que foi aquilo

Hoje olhei para o passado
E reparei, que bem que eu tenho estado
Já não sofro de propósito
Já não o proponho porque sim
Só proponho aliterações
Que bem que me sabe

Apesar disso continuo
Continuo sem ser gente
Não sei ser persistente
Apaixono-me aleatoriamente
Cada dia uma pessoa diferente
Além das duas habituais

É isso, sejamos concretos
Penso constantemente num par
Outrora trio, mas comecei a achar
Que só porque sorrio quando a vejo passar
Não é razão para me deixar acreditar
Que um futuro é fácil de criar

Então fico na cabeça
Com duas, deprimido
Coincidência, não só na cabeça, também nos ouvidos
Porque além de ainda não ter decidido
Não compreendo como fazer algo em relação a isso
Não tenho também a noção de compromisso

E passo a vida a ver séries
A acreditar que o que vejo é real
Que é fácil encontrar uma Dawn ou uma Pam
Com quem me dê diariamente e que me ame
Se vou começar a rimar com o inglês
É melhor ficar por aqui

E esqueçam o segundo verso da segunda estrofe.

domingo, 11 de agosto de 2013

Nada melhor

Dois dedos de conversa chegam bem
Para conhecer uma pessoa melhor que eu
Uma pessoa conhecida porque convém
Uma pessoa que até já desapareceu

Mas por muito que eu me esforce hoje em dia
Em tirar da cabeça o falso amor
Às vezes penso que não é coisa que me arrelia
Visto que não tenho nada melhor

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Parcialmente desintegrado

Se forem a ver, "ajo" é uma palavra caricata

Ajo como quem pretende
Enganei-me na tradução
Ajo como quem *finge
Faço já a correção

Mas basicamente sinto
Que não sou eu com as pessoas
Que me disfarço para pertencer
Sem sequer me aperceber

Apercebo-me depois
Nestas noites solitárias
Que passo acompanhado
E me lembro do passado

Não tenho solução
Continuarei deste modo
Vivo a vida descontraído
Pelo menos tenho sobrevivido

Apesar de ser fingindor
Sei que sou muito mais sincero
Que quem diz ter muito amor
E aqui sozinho espero

Wooowww.

Tinha saudades de fazer estas merdas em itálico.