Tenho uma ferida que não sara
Jorra sangue, nunca para
Malditos os meus trombócitos
Gostam tanto como eu do ócio
Ócio, vício, diversão
Nunca estão fora de questão
Tenho exame amanhã às dez
Vou só à segunda fase, pela segunda vez
Mas sinto que começo a entrar nos eixos
Talvez seja tarde para mudar o desfecho
Pára, é melhor ter esperança
É melhor esquecer a dança
Dar outro tipo de passo
Aproveitar o tempo escasso
E fazer o que devo fazer
E deixar de me comprometer
E viver no dia em que estou
Não querer descobrir quem sou
Só assim descubro então
O que se passa com o meu coração
Não posso estar a ser muito concreto
Que os poucos leitores debaixo deste tecto
Depois de lerem isto sabem o que sinto
Sabem também o quão bem minto
No lado de fora, na vida real
A vida que podia ser brutal
Se eu me deixasse de rodeios
Esquecer os fins, olhar para os meios
E sarava a ferida, sem àgua oxigenada
Um sorriso na tua cara rosada
É remédio para qualquer doença
Um dia fazemos a diferença
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