domingo, 16 de fevereiro de 2014

Há noites e noites

Estas noites

Odeio estas noites

Começam bem
A matar saudades
Com risos e olhares
E uma chuva de recordações

Eu vou no carro, tu vais naquele
Dantes íamos a pé, ou à boleia
Falamos do que acontece, o que muda
Dantes ríamos, e mantemos a tradição

Com a testerona que a Casa confere
E sem o estrógenio de outrora
Bebe-se porque sim, porque boi
E sinto que a noite já demora

Não há espaço no carro, tens que ir a penantes
Chego e mato mais saudades
E parece que está tudo como estava dantes
Apesar do aumento das idades

E tenho conversas que fazem sentido
Lembro-me de coisas que tinha esquecido
Coisas que devo ter arrumado na estante
Mas para quem importa é também importante

Faço novas amizades um pouco mais sérias
É pena que acabem já as férias
Por mim era disto sempre que saio
(mas cuidado com isso, sou propício ao desmaio)

Acaba a noite, matamos o bicho
Com comida sintética, desaparece a larica
E sentado, no quentinho, faço uma introspeção
Apesar da boa noite, nada disto me fica

Mesmo com risos, olhares, momentos faustosos
Sobremesas no fim da refeição, para os mais gulosos
Fica um vazio de emoções dentro de mim
Mesmo com o muito aguardado "long time, no see"

Mas não me levem a mal, percebam
Vocês são as pessoas que valem a pena
Disso tenho sempre a certeza
Fui eu que mudei, provavelmente
Eu que pensava que nunca aconteceria
Mas convenhamos, eu penso em demasia

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