sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Menos stress

Menos stress
Menos razões
Para preocupações
Menos fruta que apodrece

É conveniente que nunca se esqueça
Aquilo que nos arruina
Embora de certo modo permaneça
Escondido no meio da gelatina

Mas por lá também se encontra
A força que julgamos não ter
Pensar que estamos na descontra
E mesmo assim combater

São baby steps que nos levam longe
Quanto mais tempo caminharmos
Menos vontade de nos aninharmos

E roncar até ao meio-dia
E fazer aquilo que eu não queria
Requer menos esforço que aquilo que parecia

Não é com palmadas no rabo
Não é com palmadas nas costas
Que deixas aquilo que gostas
E aceitas, ao fim e ao cabo
As propostas que te são impostas

Não escolhemos esta vida
Ou escolhemos mais ou menos
É tão cedo para a despedida
Ativar leucotrienos

Então venha a estrada para caminhar

Mas antes vou-me por de pé
Sem a ajuda de nenhuma crença
À caranguejo ou à bebé
Sem que a mamã me dê licença

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Stress

Estou a stressar
Como se stressar fosse um verbo
Não é o termo que quero
Haverá outro decerto que exprima o que sinto
O que me acontece com frequência
O que me tira a decência
Como se eu tivesse decência outrora

Tentar mudar algo doravante
A única constante é a mudança
Num instante penso que é só dança
E já vou com muita sorte
Não tenho dentro de mim a criança
Está cá fora
É vossa conhecida

Nunca hei-de ser adulto
Nunca hei-de ser culto
E o amor que pelas moças nutro
Nunca há-de dar fruto
Porque antes tem de desflorar
Antes ainda tem de desfolhar
Quem faz um filho fá-lo por gosto
Falo bem-disposto
Depois do sol posto

Mas não há estratégia
Não há skill
Não há vontade verdadeira

Se forem a ver "apaixonar" é algo tão momentâneo e fugaz enquanto "amar" é tão verdadeiro como eterno. A meu ver.

Apaixono-me como quem muda de cuecas
Apaixono-me se vejo umas cuecas
A fugir de certo rabo

Mas também me apaixono por uma piada esperta
Um riso parvo na altura que considero certa
Sem me aperceber

Não tem cabimento nem é suposto ter
Cada coração tem seu batimento
Que nos possibilita sobreviver

Mas à parte dos amores e desamores
Da tristeza desmedida
De não ter algures guarida
Metafórica

Estou a stressar
Por causa da responsabilidade
Que eu finjo não ter
Desde tenra idade
Que prefiro não perguntar
Aumenta a dificuldade
Em me responsabilizar

Tento sempre escapar do inevitável
Sabendo que me vai apanhar
Adiar uma semana deixa-me confortável
Compensa estar agora a stressar

Não saber lidar com a pressão
De ser um estudante comum
A possibildade de chegar a lugar nenhum
Ter os pés assentes no chão
Não ter vontade de saltar
Não sei se é excesso ou falta de ânsia
Pelo jeito dessa circunstância
Minha alma anda a penar

Recorro então ao conforto
Do sedentarismo
Não tenho sede de turismo
Só vontade de manter o pau que nasceu torto
Quando eu um dia aparecer morto
Vai ser cedo demais
Podia ter visto mais televisão
Agora tem tantos canais

Mas nunca há nenhum que me agrade mesmo.

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