Estou a stressar
Como se stressar fosse um verbo
Não é o termo que quero
Haverá outro decerto que exprima o que sinto
O que me acontece com frequência
O que me tira a decência
Como se eu tivesse decência outrora
Tentar mudar algo doravante
A única constante é a mudança
Num instante penso que é só dança
E já vou com muita sorte
Não tenho dentro de mim a criança
Está cá fora
É vossa conhecida
Nunca hei-de ser adulto
Nunca hei-de ser culto
E o amor que pelas moças nutro
Nunca há-de dar fruto
Porque antes tem de desflorar
Antes ainda tem de desfolhar
Quem faz um filho fá-lo por gosto
Falo bem-disposto
Depois do sol posto
Mas não há estratégia
Não há skill
Não há vontade verdadeira
Se forem a ver "apaixonar" é algo tão momentâneo e fugaz enquanto "amar" é tão verdadeiro como eterno. A meu ver.
Apaixono-me como quem muda de cuecas
Apaixono-me se vejo umas cuecas
A fugir de certo rabo
Mas também me apaixono por uma piada esperta
Um riso parvo na altura que considero certa
Sem me aperceber
Não tem cabimento nem é suposto ter
Cada coração tem seu batimento
Que nos possibilita sobreviver
Mas à parte dos amores e desamores
Da tristeza desmedida
De não ter algures guarida
Metafórica
Estou a stressar
Por causa da responsabilidade
Que eu finjo não ter
Desde tenra idade
Que prefiro não perguntar
Aumenta a dificuldade
Em me responsabilizar
Tento sempre escapar do inevitável
Sabendo que me vai apanhar
Adiar uma semana deixa-me confortável
Compensa estar agora a stressar
Não saber lidar com a pressão
De ser um estudante comum
A possibildade de chegar a lugar nenhum
Ter os pés assentes no chão
Não ter vontade de saltar
Não sei se é excesso ou falta de ânsia
Pelo jeito dessa circunstância
Minha alma anda a penar
Recorro então ao conforto
Do sedentarismo
Não tenho sede de turismo
Só vontade de manter o pau que nasceu torto
Quando eu um dia aparecer morto
Vai ser cedo demais
Podia ter visto mais televisão
Agora tem tantos canais
Mas nunca há nenhum que me agrade mesmo.
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