terça-feira, 15 de setembro de 2015

E ao ouvir

E ao ouvir
A primeira música de um álbum
Que parece que devia ser a última
Penso em nós e no que seria sermos um
Em suma sermos pessoa única

Em sermos mais que a soma das partes,
De uma maneira até exponencial
Para não entrar em mais matemáticas
Acharia só especial

Com fusão de conteúdos
Sem querer soar indecente
Haver uma união dos nossos seres
De uma forma permanente

E não chorar e esquecer
Não cagar, comprometer demasiado cedo
Entender, dialogar
Não sucumbir a qualquer medo

Estar lá quando se precisa
E mais importante, quando se gosta
E demonstrar à vontade o que quer que seja
Nesta ou na outra costa

Nesta ou na outra margem
Peco por ser muito concreto
Perco por só fazer a viagem
Virtual, nem tenciono ser discreto

Se quem dá o aval é quem lê
E sorri só e chega
Enquanto continuo a querer saber o porquê
E não entendo a entrega
E sempre que possível, sou aquele que nega

Deixo de certo modo a vaga aberta
Para qualquer bicho careto
Que diga a coisa certa

Sem ofensa

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Demais

Há pessoas normais a mais
No reino dos comuns mortais
Prefiro as demais
Estas não são comuns
São como uma rajada de ar quente
Que me assola e dá à sola cedo demais
Desilude sempre
Dado que dou menos do que digo
Engano-me e desengano-me logo
Tropeço nos meus pés
E peço perdão a todas as fés
Por não lhes dar atenção
A tesão cai de para-quedas por aqui
Mas com desenvoltura
E perdura consoante a formosura
Perdi-a ao ver a estrutura disto
Sou um artista misto
Que tenta uma mancha gráfica nova
Uma ova!
Era cavar uma cova
E despejar lá a trova
Que não vai para velha
E que espelha o que sinto
Fruto do excesso de carne vermelha
Frutos vermelhos desintoxicam
Mas os ortelhos não esticam
E os joelhos não dobram
Tanto como sinos
É a minha sina não fazer sentido
Dar muito a entender
O pouco que tenho vivido
Vicissitudes várias são vícios que venero
Invento talvez vinte vezes mais do que v ivo
Vertiginosamente viro passivo-agressivo
Nem eu vejo qual o objetivo