Porque é que existem pessoas que pensam?
Porque é que há pessoas que agem?
Porque é que há pessoas que efectivamente fazem alguma coisa além de existir?
E porque é que eu existo?
E depois de repente escrevo
E sinto que faço alguma diferença por aqui
Sinto que sou algo mais do que uma ovelha do rebanho
Ou um cão do rebanho
Sinto que sou um passarito
Um passarito que não sabe o que é um rebanho
E sem se aperceber faz mais do que alguma vez pensaria que fazia
E diz palavras difíceis
E expõe o que quer dizer e não tem coragem
Porque tem medo de sofrer
Quer não amar para não cair
Mas ama
Mas cai
Mas levanta-se
Mas cai
Mas levanta-se
Apesar de lhe apetecer descansar durante um segundo extremamente longo
Quando se deita e adormece durante uma eternidade infinitamente diminuta
Mas cai
Mas levanta-se
Apesar de lhe apetecer não se levantar mais
Porque está farto de se levantar
Quando era mais fácil entrar no rebanho
E ser mais uma marioneta dum pastor que não se importa
Mesmo assim prefere ser uma marioneta de si mesmo
Mas este si mesmo importa-se, chateia-se
Aborrece-se de se levantar
Para depois cair
Para depois se levantar
E acontece uma falha de comunicação
É sempre a mesma coisa
Começo a ter uma quebra de tensão ou um colapso nervoso
Que me deixa maluco
E cansa-se o passarito
Voltando à metáfora
Cortaram-lhe as asas
E elas crescem-lhe das omoplatas
Porque agora o passarito não é uma ave mas um mamífero aleatório
Que agora voa mas não é um morcego
E depois cai
quinta-feira, 26 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Crónica de costumes meus.
A probabilidade de encontrar alguém não satisfeito por mim é alta. Convenhamos, eu olho-me ao espelho pelo menos uma vez por dia e não é só isso. Talvez seja só isso. É bastante provável que não mas não me apetece pensar agora. Talvez chegue o dia em que eu procure e encontre ou pelo menos procure encontrar quem me seja semelhante. Mas isso não é todos os dias que se encontra. Ou pelo menos uma pessoa não se lembra de encontrar ou pensar em tentar procurar ou só pensar. Só pensar. Só pensar facilitava as coisas ou muito pelo contrário, deixava tudo mais difícil, complicado de absorver, de sorver a última gota de vida que tens em mim, que tenho em ti, que tenho encontrado ultimamente debaixo da cama, debaixo dos meus pés, debaixo do chão, em cima do candeeiro que ilumina a minha mente e que me faz tentar pensar em escrever e és tu. És tu que não és Afrodite mas que não és menos que uma deusa do amor e da beleza e não és mais do que escória sou eu que não me recordo de ser menos que isto que não sou. É fácil escrever palavras ao calha sem fazer sentido. É difícil conseguir algo humanamente compreensível, humanamente estável e humanamente saciável como alguém que não eu que procuro não procurar, e então não encontro o que preciso, muito menos o que quero, muito menos preciso de querer alguma coisa. Se o chão desaba não sou eu que me vou embora, eu já fui há muito. Não me despedi, mas porque hei-de me despedir se não há ninguém que não faz falta. Por isso não me despeço porque fico por cá à espera de outra não Afrodite que seja tão deusa da beleza como deusa do amor como mortal e simples mortal tanto por haver de morrer daqui a muito, espero, como por me matar, no mínimo uma vez por dia, de manhã, quando olho para o lado, sentado, a adormecer de novo após entrar na sala de aula.
Aleatoriedade:
Prosa rápida devido a mesmo nada
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