Porque é que existem pessoas que pensam?
Porque é que há pessoas que agem?
Porque é que há pessoas que efectivamente fazem alguma coisa além de existir?
E porque é que eu existo?
E depois de repente escrevo
E sinto que faço alguma diferença por aqui
Sinto que sou algo mais do que uma ovelha do rebanho
Ou um cão do rebanho
Sinto que sou um passarito
Um passarito que não sabe o que é um rebanho
E sem se aperceber faz mais do que alguma vez pensaria que fazia
E diz palavras difíceis
E expõe o que quer dizer e não tem coragem
Porque tem medo de sofrer
Quer não amar para não cair
Mas ama
Mas cai
Mas levanta-se
Mas cai
Mas levanta-se
Apesar de lhe apetecer descansar durante um segundo extremamente longo
Quando se deita e adormece durante uma eternidade infinitamente diminuta
Mas cai
Mas levanta-se
Apesar de lhe apetecer não se levantar mais
Porque está farto de se levantar
Quando era mais fácil entrar no rebanho
E ser mais uma marioneta dum pastor que não se importa
Mesmo assim prefere ser uma marioneta de si mesmo
Mas este si mesmo importa-se, chateia-se
Aborrece-se de se levantar
Para depois cair
Para depois se levantar
E acontece uma falha de comunicação
É sempre a mesma coisa
Começo a ter uma quebra de tensão ou um colapso nervoso
Que me deixa maluco
E cansa-se o passarito
Voltando à metáfora
Cortaram-lhe as asas
E elas crescem-lhe das omoplatas
Porque agora o passarito não é uma ave mas um mamífero aleatório
Que agora voa mas não é um morcego
E depois cai
quinta-feira, 26 de maio de 2011
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