terça-feira, 3 de maio de 2011
Crónica de costumes meus.
A probabilidade de encontrar alguém não satisfeito por mim é alta. Convenhamos, eu olho-me ao espelho pelo menos uma vez por dia e não é só isso. Talvez seja só isso. É bastante provável que não mas não me apetece pensar agora. Talvez chegue o dia em que eu procure e encontre ou pelo menos procure encontrar quem me seja semelhante. Mas isso não é todos os dias que se encontra. Ou pelo menos uma pessoa não se lembra de encontrar ou pensar em tentar procurar ou só pensar. Só pensar. Só pensar facilitava as coisas ou muito pelo contrário, deixava tudo mais difícil, complicado de absorver, de sorver a última gota de vida que tens em mim, que tenho em ti, que tenho encontrado ultimamente debaixo da cama, debaixo dos meus pés, debaixo do chão, em cima do candeeiro que ilumina a minha mente e que me faz tentar pensar em escrever e és tu. És tu que não és Afrodite mas que não és menos que uma deusa do amor e da beleza e não és mais do que escória sou eu que não me recordo de ser menos que isto que não sou. É fácil escrever palavras ao calha sem fazer sentido. É difícil conseguir algo humanamente compreensível, humanamente estável e humanamente saciável como alguém que não eu que procuro não procurar, e então não encontro o que preciso, muito menos o que quero, muito menos preciso de querer alguma coisa. Se o chão desaba não sou eu que me vou embora, eu já fui há muito. Não me despedi, mas porque hei-de me despedir se não há ninguém que não faz falta. Por isso não me despeço porque fico por cá à espera de outra não Afrodite que seja tão deusa da beleza como deusa do amor como mortal e simples mortal tanto por haver de morrer daqui a muito, espero, como por me matar, no mínimo uma vez por dia, de manhã, quando olho para o lado, sentado, a adormecer de novo após entrar na sala de aula.
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