domingo, 22 de dezembro de 2013

Visita habitual à gaja do costume (provavelmente a última)

Sofrer tanto,
Constantemente
Porque eu não sei

Sofrer constantemente,
Tanto
Porque é que não sei?

Talvez saiba
Mas sei que não vale a pena
Sei que é parvo sofrer
Se já sofri tanto antes

É só fazer um esforço
Para não me esforçar
Para não sorrir
Quando não faz sentido sorrir

Por vezes sinto que ela caiu do céu
E o desgraçado em baixo fui eu
Tão cego para não ver
Que foi acaso amortecer

Vou estar lá quando ela quiser
Mas não quando for preciso
Será esse meu compromisso
Já que não me comprometo a mais

Dantes reciprocidade era o que queria
Agora não tenho a maturidade que julgava
Se fosse tão intensa como pensava
Pouca diferença fazia

Porque ela é só um placebo
Para eu pensar que vou bem
Finalmente eu percebo
Sou pouco mais que alguém

Alguém amigo, apenas ombro
Até à próxima vez que se desleixe
Pela boca beijei
Pela boca sorri
Pela boca morre o peixe

domingo, 15 de dezembro de 2013

última semana de aulas

Chego a Lisboa num domingo, que amanhã
Tenho teste cedo, levo uma vida vã
Se eu tivesse aquela capacidade de estudar
Amanhã depois do teste era capaz de comemorar
Mas chego a Lisboa, ao meu quarto, terceiro andar
De uma residência aprazível de habitar
Que tenho um quarto para mim e um quarto do meu tempo
É passado a dormir, quando há algum vento
Fecho a janela para não sentir o frio
Que me gela de cima abaixo, coisa que não aprecio
Mas deixo o estoro aberto, porque se estiver fechado
Às dez horas da manhã não estou acordado
E dado que costumo ter aulas às oito
Gosto de acordar às sete e comer umas torradas
Depois ainda apanho o metro para a Cidade Universitária
Tanta gente que estuda lá, que coisa ordinária
Mas acho que a minha faculdade é a que tem menos alunos
Apesar de ser tudo gente boa excetuando dois ou três faunos
Mas paremos de falar do quotidiano, é costume
Chegar a casa e ver na janela que há lume
Na lareira da casa da família do outro lado
O que me faz sentir um pouco mais resfriado
Aquela sensação de chegar à cidade onde estudo
"Estudo", que é como quem diz, vou a meia dúzia de aulas, nunca sei tudo
E ver uma família jovem a ver o Disney Channel
Traz-me memórias antigas de uma infância com sabor a mel
Infância que perdura aos fins-de-semana
Na terrinha que é cidade que só dívidas emana
Está na moda estar na bancarrota, nunca esteve tão perto
Mas quem sou eu para dizer isso, não sou político nem esperto
Se o fosse estava agora a estudar e não a fazer poemas
Nesta língua com acentos, cedilhas, mas não tremas

(inspira, expira)

Mas não temas, que um dia eu curo-me e podemos ser felizes
E ter crianças, primeiro um menino, como tu dizes
Para proteger a menina, que há-de vir mais tarde, é justa a causa
Mas não muito tarde, vê lá isso, cuidado com a menopausa
Se te ris disto, é sinal que não estás com o período
A merda é eu não ser um homem, não passo de um miúdo
Quando passar desta fase não vais estar à minha espera
Que há aí muita gente que te há-de tratar como era
Suposto eu te tratar, desde anitgamente, desde o início
Quando eras mais que uma crush, mas menos que um vício

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Comer gajas. Só que não.

Cada frase é um passo em falso
Faço questão de cometer esse percalço
Antes visto-me e depois é que me calço
E saio porta fora

Não escolho o elevador, mas ele quer que eu o escolha
E pisca-me olho, quer adicionar uma folha
Ao livro que eu nem comecei, tenho que meter uma rolha
Nesta poesia de vão de escada a esta hora

Não perdes pela demora

Chamo-te um vício
Chamo-te um figo
Chamo-te um táxi

E vou a pé, que não quero merdas
E vou a pé, que vou mais perto que do teu lado

Sdds de quando era apaixonado

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mellotron

mAS COM MENOS DROGAS

Passo muito tempo sem pessoas
A inflar o meu ego nojento
Que nem sequer ego é

Depois olho para os meus sonhos
E vejo-os mais reais do que isto
Isto que devia ser uma vida

Olho para trás e não consigo discernir
O que aconteceu e o que sonhei
Acho que é tudo o mesmo

Por um lado sinto que vivi os sonhos
Mas por outro sei que sonhei a vida
E sonhei os sonhos

Tenho que acordar um dia destes
Antes tenho que adormecer

sábado, 7 de dezembro de 2013

Eu, há dois anos e meio

"Vou continuar a minha vida a guardar o grito de ansiedade que tanto quero emitir, porque isso não ia despertar sentimentos nem despoletar reacções que fossem minimamente benéficas para mim ou para os que me rodeiam."

Citar-me a mim próprio é demasiado egocêntrico

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Tangente

Tanta gente que eu amo
Tanta gente que eu adoro
Tanta gente que desmamo
Tanta gente a quem imploro

Tanta gente que fica
Tanta gente que já não vem
Tanta gente que suplica
A mim, que não sou ninguém

Tanta gente que nem conheço
Tanta gente que nunca vi
É a essa gente que peço
O que fui eu que prometi

Tanta gente envolvida
Em iniciativas interessantes
E hei-de acabar a minha vida
Com os meus brutos diamantes

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Anos

Já não faço anos há uns meses
E há uns anos que perdeu a piada
Para quê festejar tantas vezes
Estarmos mais velhos que na noite passada?

Mais um ano, mais um dia
Mais saudades do passado
Responsabilidade não era o que eu queria
E não digo isto para ser engraçado

Se for, tanto melhor
Mas a verdade é que deprimo
Sinto tanta, tanta dor
E ninguém aqui para me dar mimo

Engulo em seco, quase choro
Quando me vêm dar os parabéns
A sorte é que facilmente melhoro
Para o rancor não tenho armazéns

A vida estava-me a correr tão bem
E aparece-me esta data no calendário
Não sei porque é que houve alguém
Que achasse necessário

Apontar quando um gajo nasce
E celebrar todos os anos
O envelhecimento sempre precoce
Que só nos deixa menos humanos

Mais um passo à beira da morte
Um mais longe da beira-mar
Se eu um dia tiver sorte
Vou para a campa só para ficar

No vosso coração, gente fofa
Terei sempre essa fé
Agora vou para a alcofa
Que faz-se tarde e eu hoje sou bebé