Já chegou aquela altura
Em que durmo com uma perna meio destapada
Em que tudo o que eu faço para fugir resulta em nada
Fugir ao calor abrasador que quando chega, perdura
Não perdoava no dia claro
Não tão claro que não perdoe na noite escura
Dá-me insónias
Dá-me vontade de escrever e começar a comparar
O calor físico ao calor que me faz transpirar
O calor que está nos pensamentos, nas memórias
Mais a sua falta que o calor em si
A falta de calor que despoleta as minhas histórias
Destapo metade da perna direita
Na esperança de arrefecê-la ao ponto
Em que acho um equilíbrio que me deixa pronto
Para adormecer e entrar na seita
Que me deixa estar perto de ti
Algo que anseio e me deleita
O calor que espero encontrar
Quando adormecer e estar finalmente contigo
Aquela vírgula que costuma ser ponto por ser só teu amigo
Não admira que vá ter dificuldade em acordar
Se as razões que me fazem estar deitado
São tão melhores que aquelas que me levam a levantar.
Mas quando me levanto
Saio de casa e te vejo algures durante o meu dia
Te vejo muito mais longe do que aquilo que eu queria
Acontece algo que me causa espanto
Sinto um calor tão quente, tão superior a tudo mais
Mais quente que a comida feita à pressa quando janto
Mais quente que os ouvidos das pessoas quando canto
Quente, essa palavra que sem querer dizer tanto
Me enche de certo modo até chegar aos meus aposentos
Em que tenho que por meia perna de fora do edredão
Tentar apanhar o mais subtil dos ventos
Para compensar teres estado presente no meu campo de visão
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