sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
e acordo deste sonho que vale a pena
apneia
um salto maior
e é maré cheia
e para mim tanto faz
nao vos quis impressionar
apenas quis acordar
embora o sonho valesse mais a pena
estava lá eu e tu
minha pequena
e acordei antes
de valer de facto a pena
o pai natal e suas renas
eu nao acredito nele
mas ele acredita em mim
e isso chega
vale a pena
minha pequena
terça-feira, 15 de setembro de 2015
E ao ouvir
E ao ouvir
A primeira música de um álbum
Que parece que devia ser a última
Penso em nós e no que seria sermos um
Em suma sermos pessoa única
Em sermos mais que a soma das partes,
De uma maneira até exponencial
Para não entrar em mais matemáticas
Acharia só especial
Com fusão de conteúdos
Sem querer soar indecente
Haver uma união dos nossos seres
De uma forma permanente
E não chorar e esquecer
Não cagar, comprometer demasiado cedo
Entender, dialogar
Não sucumbir a qualquer medo
Estar lá quando se precisa
E mais importante, quando se gosta
E demonstrar à vontade o que quer que seja
Nesta ou na outra costa
Nesta ou na outra margem
Peco por ser muito concreto
Perco por só fazer a viagem
Virtual, nem tenciono ser discreto
Se quem dá o aval é quem lê
E sorri só e chega
Enquanto continuo a querer saber o porquê
E não entendo a entrega
E sempre que possível, sou aquele que nega
Deixo de certo modo a vaga aberta
Para qualquer bicho careto
Que diga a coisa certa
Sem ofensa
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Demais
Há pessoas normais a mais
No reino dos comuns mortais
Prefiro as demais
Estas não são comuns
São como uma rajada de ar quente
Que me assola e dá à sola cedo demais
Desilude sempre
Dado que dou menos do que digo
Engano-me e desengano-me logo
Tropeço nos meus pés
E peço perdão a todas as fés
Por não lhes dar atenção
A tesão cai de para-quedas por aqui
Mas com desenvoltura
E perdura consoante a formosura
Perdi-a ao ver a estrutura disto
Sou um artista misto
Que tenta uma mancha gráfica nova
Uma ova!
Era cavar uma cova
E despejar lá a trova
Que não vai para velha
E que espelha o que sinto
Fruto do excesso de carne vermelha
Frutos vermelhos desintoxicam
Mas os ortelhos não esticam
E os joelhos não dobram
Tanto como sinos
É a minha sina não fazer sentido
Dar muito a entender
O pouco que tenho vivido
Vicissitudes várias são vícios que venero
Invento talvez vinte vezes mais do que v ivo
Vertiginosamente viro passivo-agressivo
Nem eu vejo qual o objetivo
domingo, 9 de agosto de 2015
Queijo Terra Nostradamus
Arte, ou algo do género
Quis perceber o que era
Tentar, pelo menos
Agora talvez já seja tarde, no entanto
Agora vejo tudo o que me passou à frente
Vejo lá atrás isso tudo, no entanto
Só se me sinto bem a ver isso...
Nem que só coisa alguma sinta
P'ra ser um pouco diferente do costume
Esqueçam, nem posso dissociar a arte do sentimento
Esqueçam, se o entenderem
Se não entenderam, continuem
(De qualquer modo, só estão a ler isto porque vos pedi para o fazer)
Se eu entender tarde demais vou jorrar lágrimas
Nem de tristeza ou alegria
Talvez lágrimas do falacioso sentimento, arte, ou algo do género
Que eu não percebo, ou automatizo e vou sentindo
Sem me aperceber que é eterno e pleno e verdadeiro
Acabando o poema tão falacioso como aquilo que não sei que sinto
terça-feira, 19 de maio de 2015
Ouvir trovas cansadas
Por muito badaladas que sejam
Nunca me chegaram
Nunca me cegaram
E me fizeram acreditar em algo mais
Não vou recorrer aos meus pais
Para pôr as culpas
Para serem desculpas
Para as minhas ações
Tenho sonhos, como todos
Mas não devo ter ambição
Apenas a ilusão que tudo é belo
Que as minhas histórias
São mais que #pequenasvitórias
Tenho carinhos especiais
Que perdem esse carácter
Dada a sua pluralidade
Para atuar nem tenho idade
Nem penso que vá ter
Escrever trovas cansadas
É um passatempo prepotente
É uma prova evidente
De ter coisas amarradas
Que assim permanecem
Por muito que assim adore
Tenho que fazer um underscore
_
A certa altura pensei
Que tinhas um metro e setenta
De altura, pensei
Que não tinha um espectro
Não sei se ainda dura a ideia
Mas tento não encher a cabeça
E não me importar com quem leia
A certa altura pensei
Que me eras indiferente
Quando mal dormi e chorei
Por demasiada gente
É igualmente estúpido
Mais inóspito que certos climas
São as confusões nas minhas rimas
A certa altura temi
Que fosse indiferente para ti
É que a hospitalidade que oferecia
Era tão bem recebida como dantes
Não havia a ponta de receio
Não sabia ponta de corno
Se estava a correr como queria
Se estava só a ser feio
E a certa altura detestei
Ter enviado uma mensagem de texto
A dizer que te curto
Ainda não sei se foi mais que stress
Pós traumático do furto
Que sofri, sem que desse bem conta
Não há ponta por onde se pegue
Não hei de ver o que se segue
A certa altura, talvez amanhã
Envio-te outra mensagem
Por outro meio de comunicação
Para quando tu e outros trajem
Dada a importância da instância
Tento não ter a prepotência
Que consideraria necessária
Ignoro a distância
Só aqui começa a ignorância
Não interessa pensar nem descrever
Só sonhar que tu me osculas
Eu sabia que ias ser tu
Finalmente, em maiúsculas.
Mas não. Eu não disse isto. 'Té à próxima.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Amo com certeza
Amo com toda a certeza
Amo os comportamentos, os risos
Os gestos fugazes
Da natureza, é natural
Que haja certa nobreza no Carnaval
Que é uma folha que cai, finge fugir
Do terno ramo prestes a florir
Que finge por sua vez não se importar
Com a folha que cai, não dá para regressar
Dano com certeza
De ano a ano tenho mais clareza
Mais cultura, mais ciência
Mais dúvida, mais demência
Com eloquência tento fingir não a ter
Tento fingir não ter tanto dano como o que tenho
E falho miseravelmente
Como a folha que cai e finge
Não se importar com o tempo quente
Vira a história a página
E fica a folha para trás
Recordações más se sequer as há
Plano com certeza
Tenho um plano de defesa
Que é esconder nos risos
O arranha-céus de duzentos pisos
Que é a tristeza
Tenho também plano para o futuro
Não passa de um pano escuro
Não é tela nem mural
O que aparecer por trás não me deixará mal
Curo o breu com gargalhadas
Não há tentativas falhadas
Não há tentativas
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Amonas
Desconheço como quem conhece,
Conheço como quem gosta,
Gosto como quem ama,
E não amo.
Nunca amei.
Palavras cada vez mais curtas
Com um sentido cada vez mais comprido.
Embora já me tenha comprometido,
Através de palavras mortas,
Não sinto nada assim tanto.
Para meu espanto.
Espero um dia ter a oportunidade,
Ter a humildade de me aperceber
E não tomar como garantido,
Ou pelo menos aperceber-me
Antes de ter perdido
E nunca perder?
Afogo as mágoas sem as ter,
Ou sem as merecer.
Talvez só as deixo desvanecer...
De qualquer modo...
Bem...
Bem mal.