quinta-feira, 27 de junho de 2019
Imodium®
E não sei se mudei
Nem sei se era suposto mudar
Com as coisas que aqui ficaram
Nunca mais me comparei
Talvez só porque não quis
Comparar
Se o eu que trago é pouco
É porque descontraio
Meu tom de voz não é rouco
Porque não grito, ensaio
Calado, no meu quarto
Só durmo, já não escrevo
Já não penso, já não mato
A sede que já nem devo
Ter
Todo eu sou desinteresse
Não por não ser interessante
Mas por não empatizar
Não enfatizar
Tudo o que me levava avante
Tinha uma cascata de pensamentos,
ideias, uma opinião constante
Levam-me agora outros ventos
Uma tempestade obstipante
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
e acordo deste sonho que vale a pena
apneia
um salto maior
e é maré cheia
e para mim tanto faz
nao vos quis impressionar
apenas quis acordar
embora o sonho valesse mais a pena
estava lá eu e tu
minha pequena
e acordei antes
de valer de facto a pena
o pai natal e suas renas
eu nao acredito nele
mas ele acredita em mim
e isso chega
vale a pena
minha pequena
terça-feira, 15 de setembro de 2015
E ao ouvir
E ao ouvir
A primeira música de um álbum
Que parece que devia ser a última
Penso em nós e no que seria sermos um
Em suma sermos pessoa única
Em sermos mais que a soma das partes,
De uma maneira até exponencial
Para não entrar em mais matemáticas
Acharia só especial
Com fusão de conteúdos
Sem querer soar indecente
Haver uma união dos nossos seres
De uma forma permanente
E não chorar e esquecer
Não cagar, comprometer demasiado cedo
Entender, dialogar
Não sucumbir a qualquer medo
Estar lá quando se precisa
E mais importante, quando se gosta
E demonstrar à vontade o que quer que seja
Nesta ou na outra costa
Nesta ou na outra margem
Peco por ser muito concreto
Perco por só fazer a viagem
Virtual, nem tenciono ser discreto
Se quem dá o aval é quem lê
E sorri só e chega
Enquanto continuo a querer saber o porquê
E não entendo a entrega
E sempre que possível, sou aquele que nega
Deixo de certo modo a vaga aberta
Para qualquer bicho careto
Que diga a coisa certa
Sem ofensa
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Demais
Há pessoas normais a mais
No reino dos comuns mortais
Prefiro as demais
Estas não são comuns
São como uma rajada de ar quente
Que me assola e dá à sola cedo demais
Desilude sempre
Dado que dou menos do que digo
Engano-me e desengano-me logo
Tropeço nos meus pés
E peço perdão a todas as fés
Por não lhes dar atenção
A tesão cai de para-quedas por aqui
Mas com desenvoltura
E perdura consoante a formosura
Perdi-a ao ver a estrutura disto
Sou um artista misto
Que tenta uma mancha gráfica nova
Uma ova!
Era cavar uma cova
E despejar lá a trova
Que não vai para velha
E que espelha o que sinto
Fruto do excesso de carne vermelha
Frutos vermelhos desintoxicam
Mas os ortelhos não esticam
E os joelhos não dobram
Tanto como sinos
É a minha sina não fazer sentido
Dar muito a entender
O pouco que tenho vivido
Vicissitudes várias são vícios que venero
Invento talvez vinte vezes mais do que v ivo
Vertiginosamente viro passivo-agressivo
Nem eu vejo qual o objetivo
domingo, 9 de agosto de 2015
Queijo Terra Nostradamus
Arte, ou algo do género
Quis perceber o que era
Tentar, pelo menos
Agora talvez já seja tarde, no entanto
Agora vejo tudo o que me passou à frente
Vejo lá atrás isso tudo, no entanto
Só se me sinto bem a ver isso...
Nem que só coisa alguma sinta
P'ra ser um pouco diferente do costume
Esqueçam, nem posso dissociar a arte do sentimento
Esqueçam, se o entenderem
Se não entenderam, continuem
(De qualquer modo, só estão a ler isto porque vos pedi para o fazer)
Se eu entender tarde demais vou jorrar lágrimas
Nem de tristeza ou alegria
Talvez lágrimas do falacioso sentimento, arte, ou algo do género
Que eu não percebo, ou automatizo e vou sentindo
Sem me aperceber que é eterno e pleno e verdadeiro
Acabando o poema tão falacioso como aquilo que não sei que sinto
terça-feira, 19 de maio de 2015
Ouvir trovas cansadas
Por muito badaladas que sejam
Nunca me chegaram
Nunca me cegaram
E me fizeram acreditar em algo mais
Não vou recorrer aos meus pais
Para pôr as culpas
Para serem desculpas
Para as minhas ações
Tenho sonhos, como todos
Mas não devo ter ambição
Apenas a ilusão que tudo é belo
Que as minhas histórias
São mais que #pequenasvitórias
Tenho carinhos especiais
Que perdem esse carácter
Dada a sua pluralidade
Para atuar nem tenho idade
Nem penso que vá ter
Escrever trovas cansadas
É um passatempo prepotente
É uma prova evidente
De ter coisas amarradas
Que assim permanecem
Por muito que assim adore
Tenho que fazer um underscore
_
A certa altura pensei
Que tinhas um metro e setenta
De altura, pensei
Que não tinha um espectro
Não sei se ainda dura a ideia
Mas tento não encher a cabeça
E não me importar com quem leia
A certa altura pensei
Que me eras indiferente
Quando mal dormi e chorei
Por demasiada gente
É igualmente estúpido
Mais inóspito que certos climas
São as confusões nas minhas rimas
A certa altura temi
Que fosse indiferente para ti
É que a hospitalidade que oferecia
Era tão bem recebida como dantes
Não havia a ponta de receio
Não sabia ponta de corno
Se estava a correr como queria
Se estava só a ser feio
E a certa altura detestei
Ter enviado uma mensagem de texto
A dizer que te curto
Ainda não sei se foi mais que stress
Pós traumático do furto
Que sofri, sem que desse bem conta
Não há ponta por onde se pegue
Não hei de ver o que se segue
A certa altura, talvez amanhã
Envio-te outra mensagem
Por outro meio de comunicação
Para quando tu e outros trajem
Dada a importância da instância
Tento não ter a prepotência
Que consideraria necessária
Ignoro a distância
Só aqui começa a ignorância
Não interessa pensar nem descrever
Só sonhar que tu me osculas
Eu sabia que ias ser tu
Finalmente, em maiúsculas.
Mas não. Eu não disse isto. 'Té à próxima.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Amo com certeza
Amo com toda a certeza
Amo os comportamentos, os risos
Os gestos fugazes
Da natureza, é natural
Que haja certa nobreza no Carnaval
Que é uma folha que cai, finge fugir
Do terno ramo prestes a florir
Que finge por sua vez não se importar
Com a folha que cai, não dá para regressar
Dano com certeza
De ano a ano tenho mais clareza
Mais cultura, mais ciência
Mais dúvida, mais demência
Com eloquência tento fingir não a ter
Tento fingir não ter tanto dano como o que tenho
E falho miseravelmente
Como a folha que cai e finge
Não se importar com o tempo quente
Vira a história a página
E fica a folha para trás
Recordações más se sequer as há
Plano com certeza
Tenho um plano de defesa
Que é esconder nos risos
O arranha-céus de duzentos pisos
Que é a tristeza
Tenho também plano para o futuro
Não passa de um pano escuro
Não é tela nem mural
O que aparecer por trás não me deixará mal
Curo o breu com gargalhadas
Não há tentativas falhadas
Não há tentativas
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Amonas
Desconheço como quem conhece,
Conheço como quem gosta,
Gosto como quem ama,
E não amo.
Nunca amei.
Palavras cada vez mais curtas
Com um sentido cada vez mais comprido.
Embora já me tenha comprometido,
Através de palavras mortas,
Não sinto nada assim tanto.
Para meu espanto.
Espero um dia ter a oportunidade,
Ter a humildade de me aperceber
E não tomar como garantido,
Ou pelo menos aperceber-me
Antes de ter perdido
E nunca perder?
Afogo as mágoas sem as ter,
Ou sem as merecer.
Talvez só as deixo desvanecer...
De qualquer modo...
Bem...
Bem mal.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Isto de abrigar sentimentos
Isto de abrigar sentimentos
Ao abrigo do novo acordo
É algo com que não concordo
São tudo menos incrementos
Como temos os termos "interno"
E "externo" neste tempo moderno
Creio que o prefixo "ex-" é mais correcto
São excrementos que saem da caneta
Não do recto
Em relação ao abrigo de sentimentos
É um dos mais caros emolumentos
Que tive a oportunidade de pagar
Não é para me gabar
Mas consegui um acordo
Não é fuga ao fisco
Mas como nunca mordo o isco
Pago a prestações
Com depressões
Pontuais
Quem semeia ventos
Colhe tempestades
Em relação aos sentimentos
Em relação às qualidades
Rego tanto, rego tudo
Rogo pragas, que merda de escudo
Invisível
Indivisível
Conto um conto por alto
Pico o ponto, não falto
Às minhas obrigaçõe
Só que sim
A todas
Mesmo todas
Não sei se isto ajuda
Não sei nada
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Menos stress
Menos stress
Menos razões
Para preocupações
Menos fruta que apodrece
É conveniente que nunca se esqueça
Aquilo que nos arruina
Embora de certo modo permaneça
Escondido no meio da gelatina
Mas por lá também se encontra
A força que julgamos não ter
Pensar que estamos na descontra
E mesmo assim combater
São baby steps que nos levam longe
Quanto mais tempo caminharmos
Menos vontade de nos aninharmos
E roncar até ao meio-dia
E fazer aquilo que eu não queria
Requer menos esforço que aquilo que parecia
Não é com palmadas no rabo
Não é com palmadas nas costas
Que deixas aquilo que gostas
E aceitas, ao fim e ao cabo
As propostas que te são impostas
Não escolhemos esta vida
Ou escolhemos mais ou menos
É tão cedo para a despedida
Ativar leucotrienos
Então venha a estrada para caminhar
Mas antes vou-me por de pé
Sem a ajuda de nenhuma crença
À caranguejo ou à bebé
Sem que a mamã me dê licença
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Stress
Estou a stressar
Como se stressar fosse um verbo
Não é o termo que quero
Haverá outro decerto que exprima o que sinto
O que me acontece com frequência
O que me tira a decência
Como se eu tivesse decência outrora
Tentar mudar algo doravante
A única constante é a mudança
Num instante penso que é só dança
E já vou com muita sorte
Não tenho dentro de mim a criança
Está cá fora
É vossa conhecida
Nunca hei-de ser adulto
Nunca hei-de ser culto
E o amor que pelas moças nutro
Nunca há-de dar fruto
Porque antes tem de desflorar
Antes ainda tem de desfolhar
Quem faz um filho fá-lo por gosto
Falo bem-disposto
Depois do sol posto
Mas não há estratégia
Não há skill
Não há vontade verdadeira
Se forem a ver "apaixonar" é algo tão momentâneo e fugaz enquanto "amar" é tão verdadeiro como eterno. A meu ver.
Apaixono-me como quem muda de cuecas
Apaixono-me se vejo umas cuecas
A fugir de certo rabo
Mas também me apaixono por uma piada esperta
Um riso parvo na altura que considero certa
Sem me aperceber
Não tem cabimento nem é suposto ter
Cada coração tem seu batimento
Que nos possibilita sobreviver
Mas à parte dos amores e desamores
Da tristeza desmedida
De não ter algures guarida
Metafórica
Estou a stressar
Por causa da responsabilidade
Que eu finjo não ter
Desde tenra idade
Que prefiro não perguntar
Aumenta a dificuldade
Em me responsabilizar
Tento sempre escapar do inevitável
Sabendo que me vai apanhar
Adiar uma semana deixa-me confortável
Compensa estar agora a stressar
Não saber lidar com a pressão
De ser um estudante comum
A possibildade de chegar a lugar nenhum
Ter os pés assentes no chão
Não ter vontade de saltar
Não sei se é excesso ou falta de ânsia
Pelo jeito dessa circunstância
Minha alma anda a penar
Recorro então ao conforto
Do sedentarismo
Não tenho sede de turismo
Só vontade de manter o pau que nasceu torto
Quando eu um dia aparecer morto
Vai ser cedo demais
Podia ter visto mais televisão
Agora tem tantos canais
Mas nunca há nenhum que me agrade mesmo.
28,93
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Vale de Figueira
Faço mais um post cujo título é uma estação
Afinal de contas não podia estar mais estacionário
Leva-me o comboio sem destino
Sofro por passá-lo a pente fino
Ou por causa do horário
Relativamente à primeira causa
Espero fazer-me entender
Sei que já era habitual
Penar por ver donzelas
Levar só a memória delas comigo para casa
A segunda causa é óbvia
Não só me levantei cedo
(Devo ser doido
E de mim devia ter medo)
Como me deitei tarde
E apesar do café
Relaxo infinitivamente onde paro
Só não durmo por ter tanta paisagem
De um lado e do outro
Do de dentro e do de fora
Sofro menos do que regozijo
Deprimido não fico decerto
Aguento a leve pena
Levo na cabeça a festa
Vai melhor do que esta
A ver se chego lá a horas
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
O meu turno
Sentado, soturno
Penso na vida e nos outros, em mim noutra perspectiva, na minha relação com as pessoas e o porquê de me relacionar com certas ditas.
Sentado, soturno
Olho em meu redor e observo a tão contraditória indiferença e tédio em relação à animada música que salta tão sincopadamente das simpáticas colunas
Não param
E eu não paro de estar sentado, soturno
Sentado, sortudo
Não sei bem porquê
Esperem
Sentado, não sortudo
Por me importar tanto e ser tão racional
Ser tão anormal
Segundo uma norma que só serve para me pregar rasteiras
Se eu sangro dos joelhos
A culpa não é minha
É só o meu turno
domingo, 24 de agosto de 2014
Sinestesia
Este cheiro ensurdecedor que me aquece
Tenta dar resposta à minha prece
Tenta dar sentido à minha vida
Tenta encontrar a ovelha perdida
Se a procuro, não aparece
Se me deixo disso, se me esquece
Vem ela perfazer as cem
Não me faz falta mais ninguém
Este cheiro ensurdecedor que me arrefece
Tenta tornar-se uma benesse
Tenta tornar-me mais do que sou
Tenta guiar para onde vou
Ou me ajuda ou me distrai
Nem me importa quando vai
Mas se volta faz questão
De me arrancar o coração
O cheiro ensurdecedor não me aquece nem me arrefece
Nem me cegava se escolhesse
A opção à direita
Quem nem sequer se respeita
Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita
Não sei se o cheiro ensurdecedor
É sinestesia ou não
Se for só metáfora
Tenho mal o título
Tenho mal todo o capítulo
Faz-me falta a diáspora
Por vezes, sinto que o cheiro ensudecedor me acalenta
Normalmente não tolero pêlo na venta
Mas abro uma exceção
Beijinho no ombro
Exponho a faceta que não tenho
Aquela que desdenho
Sentir de facto
Guardo todo o meu empenho
Para tornar-me num estranho
E sentir-me um fardo
Se chorar baba e ranho
Neste sítio mundano
Chamem ajuda
Internem-me um ano
Agarrem num pano
E amordacem-me
Esforço-me sem razão
Para não ser eu
Quando podia tanto esforço ser canalizado para ser um eu bom, verdadeiro e pleno
Um dia faço isso e passo às gerações vindouras
Com um exemplo a seguir
Não na mesma recta, mas numa paralela
Se de mim um dia só restar escombros
Não vai faltar beijinhos nos ombros
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Mão de vaca e canja de galinha
Em casa dorme-se
Lá fora faz frio
Cá dentro faz mais
Chateia não saber
O sabor sobre a soberba santa
O sabor que sobe se souber
Que fazer com qualidade tanta
O sabor se bem que salgado
Saciaria a sede que se sente
Não me espanta nada
Não dar o braço a torcer
Ficar na corrida em último
Não querer quebrar o cúbito
Ficar com o coração áspero
Não querer quebrar o úmero
Deixar em paz a rosa de gládio
Não querer desligar o rádio
Não dar o carpo ao manifesto
Denegrir o gesto que precede
Vários outros aprazíveis
Inesquecíveis
Improváveis
Chateia ser eu
Que achas?
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Estivação
Não me chega a ventoinha
Para dizimar o calor
Não me chega a caminha
Se ela é um exsicador
Se me falta ar nos pulmões
Não há medida a tomar
Se dispo os calções
Para me ir refrescar
Não penso, não tomo decisões
Ou julgo que não estou a pensar
Mas não tenho intenções
De voltar a inspirar
Se transpiro tanto, tudo
Fico na mesma, indiferente
Faço disso o meu escudo
Contra tanta, toda a gente
Fico em casa, destilaria
Contribuo para a percentagem
De pessoas cheias de atrofia
Mas com excesso de bagagem
Passa um e outro dia
E persisto na viagem
Da moleza dura e fria
Sem do tempo fazer triagem
Estar em pé ou estar deitado
Já nem sequer sei a diferença
Agora até me passa ao lado
A interna dor intensa
Não fico preeocupado
De tu não estares propensa
Espero não ficar neste estado
Durante uma temporada extensa
Não me chega a ventoinha
Para dizimar o calor
Mas dá-me algo que eu não tinha
O vazio de não ter dor
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Mato de Miranda
Não sei
Sei lá
Serei eu?
Entrei no comboio
Já paramos
Reparamos
Por causa do acordo ortográfico
Que isto está cheio
Quando chegarmos a meio
Talvez já esteja
Meio vazio
O que quer que isso seja
Maioritariamente
Pessoas quase idosas
Gente
Inconsciente
Consistente
Senhoras pintalgadas
Do cabelo aos pés
A cara não tem a mesma tez
Que tinha anteriormente
Os senhores aceitam
O cabelo alvo e a calvície
Outra espécie
E outra espécie de solução
Óculos da Chanel
São para ele
Revolução
Tambêm há jovens sonolentos
Face às senhoras rabitesas
Vão ter aulas
Vão ter exames
Menos estudos do que rezas
Esperam passar
Com a certeza
Que não fazem ideia
Se merecem de facto
Se pudessem fazer um pacto
Com o diabo
Já estava na segunda hipoteca
Que é melhor a discoteca
Do que a biblioteca
Para mim tanto me faz
De qualquer modo
Têm todos funções
Todos intuitos
Algo que gostam
Que desprezam
Não me apetece acabar isto
Vocês sabem onde ia dar
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Metrónomo. Tu, tu, tu, tu.
Se há coisa que me irrita
É ver que és tão bonita
Tão mais bonita quando estás longe
Mas tu és Aquário
Eu sou Sagitário
Suponho que não seja necessário
Falar mais sobre isso
Sinceramente nunca foi
Tenho cá dentro tantos monstros
Enquanto aguento alguns
Outros saem de alguma forma
Outros saem sob a forma
De cartas de amor
Quem as não tem?
Tenho tantas que não ofereço
Sou só eu que não mereço
Este mês teve tantos domingos
Não teve muitos pingos
Podia ter aproveitado
Olho para mim de lado
Sou rapaz, é suposto
Guiar, conduzir, liderar
Sinceramente estou disposto
Enquanto não o estiver a considerar
O maior desgosto
É não tropeçar
Liga-me, chama-me
À parte, à frente
Da fila não sou eu que estou
Alguém ultrapassou
Alguém que tropeça frequentemente
Agora que me tenho penteado
De um modo tão imaculado
Não fico chateado, baseado na estética
Verem em mim uma lésbica
É o que menos me importa
Tenho-me reservado para ti
Reservado permaneço
Esqueço-me de ser feliz
Se não mereço ser feliz
Talvez seja porque nunca quis
Nunca percebi se estes gajos me fazem feliz ou irremediavelmente triste. De qualquer modo, obrigado.
domingo, 1 de junho de 2014
Faço-me tão mal.
É demasiado difícil
Falar sobre mim
Sem envolver os outros
É demasiado fácil
Não envolver os outros
Não envolver as outras
Figurativa e literalmente
Um dia finjo bem
Um dia finjo só
Um dia finjo que só
Me sinto bem
Vou tentar envolver-me
Vou tentar não os envolver
Vou tentar pincelar aqui pensamentos
Mascarados de alguma coisa
Não hoje, não amanhã
Que tenho muita coisa para fazer
Apesar de não fazer
Pão nosso de cada dia
Pão nosso que amolecia
Em vez de endurecer
Pão cada vez mais fresco
Cada vez mais claro
Que se eu também quero amassar pão
Eventualmente vai-me sair caro
-
Dou pulos de alegria
Dentro da minha cabeça
Se vejo que alguém se lembrou de mim
Mesmo que eu não mereça
Especialmente se eu não mereço
Mas disso esqueço-me eu cedo
Por momentos perde-se o medo
O medo de estar agora no mesmo sítio
Quem é decente, omite-o
Não tenho medo da indecência
Apenas da constante permanência