sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Isto de abrigar sentimentos

Isto de abrigar sentimentos
Ao abrigo do novo acordo
É algo com que não concordo
São tudo menos incrementos
Como temos os termos "interno"
E "externo" neste tempo moderno
Creio que o prefixo "ex-" é mais correcto
São excrementos que saem da caneta
Não do recto

Em relação ao abrigo de sentimentos
É um dos mais caros emolumentos
Que tive a oportunidade de pagar
Não é para me gabar
Mas consegui um acordo
Não é fuga ao fisco
Mas como nunca mordo o isco
Pago a prestações
Com depressões
Pontuais

Quem semeia ventos
Colhe tempestades
Em relação aos sentimentos
Em relação às qualidades
Rego tanto, rego tudo
Rogo pragas, que merda de escudo
Invisível
Indivisível

Conto um conto por alto
Pico o ponto, não falto
Às minhas obrigaçõe

Só que sim

A todas
Mesmo todas

Não sei se isto ajuda

Não sei nada

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Menos stress

Menos stress
Menos razões
Para preocupações
Menos fruta que apodrece

É conveniente que nunca se esqueça
Aquilo que nos arruina
Embora de certo modo permaneça
Escondido no meio da gelatina

Mas por lá também se encontra
A força que julgamos não ter
Pensar que estamos na descontra
E mesmo assim combater

São baby steps que nos levam longe
Quanto mais tempo caminharmos
Menos vontade de nos aninharmos

E roncar até ao meio-dia
E fazer aquilo que eu não queria
Requer menos esforço que aquilo que parecia

Não é com palmadas no rabo
Não é com palmadas nas costas
Que deixas aquilo que gostas
E aceitas, ao fim e ao cabo
As propostas que te são impostas

Não escolhemos esta vida
Ou escolhemos mais ou menos
É tão cedo para a despedida
Ativar leucotrienos

Então venha a estrada para caminhar

Mas antes vou-me por de pé
Sem a ajuda de nenhuma crença
À caranguejo ou à bebé
Sem que a mamã me dê licença

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Stress

Estou a stressar
Como se stressar fosse um verbo
Não é o termo que quero
Haverá outro decerto que exprima o que sinto
O que me acontece com frequência
O que me tira a decência
Como se eu tivesse decência outrora

Tentar mudar algo doravante
A única constante é a mudança
Num instante penso que é só dança
E já vou com muita sorte
Não tenho dentro de mim a criança
Está cá fora
É vossa conhecida

Nunca hei-de ser adulto
Nunca hei-de ser culto
E o amor que pelas moças nutro
Nunca há-de dar fruto
Porque antes tem de desflorar
Antes ainda tem de desfolhar
Quem faz um filho fá-lo por gosto
Falo bem-disposto
Depois do sol posto

Mas não há estratégia
Não há skill
Não há vontade verdadeira

Se forem a ver "apaixonar" é algo tão momentâneo e fugaz enquanto "amar" é tão verdadeiro como eterno. A meu ver.

Apaixono-me como quem muda de cuecas
Apaixono-me se vejo umas cuecas
A fugir de certo rabo

Mas também me apaixono por uma piada esperta
Um riso parvo na altura que considero certa
Sem me aperceber

Não tem cabimento nem é suposto ter
Cada coração tem seu batimento
Que nos possibilita sobreviver

Mas à parte dos amores e desamores
Da tristeza desmedida
De não ter algures guarida
Metafórica

Estou a stressar
Por causa da responsabilidade
Que eu finjo não ter
Desde tenra idade
Que prefiro não perguntar
Aumenta a dificuldade
Em me responsabilizar

Tento sempre escapar do inevitável
Sabendo que me vai apanhar
Adiar uma semana deixa-me confortável
Compensa estar agora a stressar

Não saber lidar com a pressão
De ser um estudante comum
A possibildade de chegar a lugar nenhum
Ter os pés assentes no chão
Não ter vontade de saltar
Não sei se é excesso ou falta de ânsia
Pelo jeito dessa circunstância
Minha alma anda a penar

Recorro então ao conforto
Do sedentarismo
Não tenho sede de turismo
Só vontade de manter o pau que nasceu torto
Quando eu um dia aparecer morto
Vai ser cedo demais
Podia ter visto mais televisão
Agora tem tantos canais

Mas nunca há nenhum que me agrade mesmo.

28,93

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Vale de Figueira

Faço mais um post cujo título é uma estação
Afinal de contas não podia estar mais estacionário
Leva-me o comboio sem destino
Sofro por passá-lo a pente fino
Ou por causa do horário

Relativamente à primeira causa
Espero fazer-me entender
Sei que já era habitual
Penar por ver donzelas
Levar só a memória delas comigo para casa
A segunda causa é óbvia
Não só me levantei cedo
(Devo ser doido
E de mim devia ter medo)
Como me deitei tarde
E apesar do café
Relaxo infinitivamente onde paro

Só não durmo por ter tanta paisagem
De um lado e do outro
Do de dentro e do de fora
Sofro menos do que regozijo

Deprimido não fico decerto
Aguento a leve pena
Levo na cabeça a festa
Vai melhor do que esta
A ver se chego lá a horas

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O meu turno

Sentado, soturno
Penso na vida e nos outros, em mim noutra perspectiva, na minha relação com as pessoas e o porquê de me relacionar com certas ditas.

Sentado, soturno
Olho em meu redor e observo a tão contraditória indiferença e tédio em relação à animada música que salta tão sincopadamente das simpáticas colunas
Não param
E eu não paro de estar sentado, soturno

Sentado, sortudo
Não sei bem porquê

Esperem

Sentado, não sortudo
Por me importar tanto e ser tão racional
Ser tão anormal
Segundo uma norma que só serve para me pregar rasteiras

Se eu sangro dos joelhos
A culpa não é minha
É só o meu turno

domingo, 24 de agosto de 2014

Sinestesia

Este cheiro ensurdecedor que me aquece
Tenta dar resposta à minha prece
Tenta dar sentido à minha vida
Tenta encontrar a ovelha perdida

Se a procuro, não aparece
Se me deixo disso, se me esquece
Vem ela perfazer as cem
Não me faz falta mais ninguém

Este cheiro ensurdecedor que me arrefece
Tenta tornar-se uma benesse
Tenta tornar-me mais do que sou
Tenta guiar para onde vou

Ou me ajuda ou me distrai
Nem me importa quando vai
Mas se volta faz questão
De me arrancar o coração

O cheiro ensurdecedor não me aquece nem me arrefece
Nem me cegava se escolhesse
A opção à direita
Quem nem sequer se respeita
Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita

Não sei se o cheiro ensurdecedor
É sinestesia ou não
Se for só metáfora
Tenho mal o título
Tenho mal todo o capítulo
Faz-me falta a diáspora

Por vezes, sinto que o cheiro ensudecedor me acalenta
Normalmente não tolero pêlo na venta
Mas abro uma exceção

Beijinho no ombro

Exponho a faceta que não tenho
Aquela que desdenho
Sentir de facto

Guardo todo o meu empenho
Para tornar-me num estranho
E sentir-me um fardo

Se chorar baba e ranho
Neste sítio mundano
Chamem ajuda
Internem-me um ano
Agarrem num pano
E amordacem-me

Esforço-me sem razão
Para não ser eu
Quando podia tanto esforço ser canalizado para ser um eu bom, verdadeiro e pleno

Um dia faço isso e passo às gerações vindouras
Com um exemplo a seguir
Não na mesma recta, mas numa paralela

Se de mim um dia só restar escombros
Não vai faltar beijinhos nos ombros

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Mão de vaca e canja de galinha

Em casa dorme-se
Lá fora faz frio
Cá dentro faz mais

Chateia não saber
O sabor sobre a soberba santa
O sabor que sobe se souber
Que fazer com qualidade tanta

O sabor se bem que salgado
Saciaria a sede que se sente

Não me espanta nada
Não dar o braço a torcer
Ficar na corrida em último
Não querer quebrar o cúbito
Ficar com o coração áspero
Não querer quebrar o úmero
Deixar em paz a rosa de gládio
Não querer desligar o rádio
Não dar o carpo ao manifesto

Denegrir o gesto que precede
Vários outros aprazíveis
Inesquecíveis
Improváveis

Chateia ser eu

Que achas?

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Estivação

Não me chega a ventoinha
Para dizimar o calor
Não me chega a caminha
Se ela é um exsicador

Se me falta ar nos pulmões
Não há medida a tomar
Se dispo os calções
Para me ir refrescar
Não penso, não tomo decisões
Ou julgo que não estou a pensar
Mas não tenho intenções
De voltar a inspirar

Se transpiro tanto, tudo
Fico na mesma, indiferente
Faço disso o meu escudo
Contra tanta, toda a gente

Fico em casa, destilaria
Contribuo para a percentagem
De pessoas cheias de atrofia
Mas com excesso de bagagem
Passa um e outro dia
E persisto na viagem
Da moleza dura e fria
Sem do tempo fazer triagem

Estar em pé ou estar deitado
Já nem sequer sei a diferença
Agora até me passa ao lado
A interna dor intensa
Não fico preeocupado
De tu não estares propensa
Espero não ficar neste estado
Durante uma temporada extensa

Não me chega a ventoinha
Para dizimar o calor
Mas dá-me algo que eu não tinha
O vazio de não ter dor

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Mato de Miranda

Não sei
Sei lá
Serei eu?

Entrei no comboio
Já paramos
Reparamos
Por causa do acordo ortográfico
Que isto está cheio
Quando chegarmos a meio
Talvez já esteja
Meio vazio
O que quer que isso seja

Maioritariamente
Pessoas quase idosas
Gente
Inconsciente
Consistente
Senhoras pintalgadas
Do cabelo aos pés
A cara não tem a mesma tez
Que tinha anteriormente
Os senhores aceitam
O cabelo alvo e a calvície
Outra espécie
E outra espécie de solução
Óculos da Chanel
São para ele
Revolução

Tambêm há jovens sonolentos
Face às senhoras rabitesas
Vão ter aulas
Vão ter exames
Menos estudos do que rezas
Esperam passar
Com a certeza
Que não fazem ideia
Se merecem de facto
Se pudessem fazer um pacto
Com o diabo
Já estava na segunda hipoteca
Que é melhor a discoteca
Do que a biblioteca
Para mim tanto me faz

De qualquer modo
Têm todos funções
Todos intuitos
Algo que gostam
Que desprezam

Não me apetece acabar isto
Vocês sabem onde ia dar

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Metrónomo. Tu, tu, tu, tu.

Se há coisa que me irrita
É ver que és tão bonita
Tão mais bonita quando estás longe

Mas tu és Aquário
Eu sou Sagitário
Suponho que não seja necessário
Falar mais sobre isso

Sinceramente nunca foi

Tenho cá dentro tantos monstros
Enquanto aguento alguns
Outros saem de alguma forma
Outros saem sob a forma

De cartas de amor
Quem as não tem?
Tenho tantas que não ofereço
Sou só eu que não mereço

Este mês teve tantos domingos
Não teve muitos pingos
Podia ter aproveitado
Olho para mim de lado

Sou rapaz, é suposto
Guiar, conduzir, liderar
Sinceramente estou disposto
Enquanto não o estiver a considerar
O maior desgosto
É não tropeçar

Liga-me, chama-me
À parte, à frente
Da fila não sou eu que estou
Alguém ultrapassou
Alguém que tropeça frequentemente

Agora que me tenho penteado
De um modo tão imaculado
Não fico chateado, baseado na estética
Verem em mim uma lésbica

É o que menos me importa

Tenho-me reservado para ti
Reservado permaneço
Esqueço-me de ser feliz
Se não mereço ser feliz
Talvez seja porque nunca quis

Nunca percebi se estes gajos me fazem feliz ou irremediavelmente triste. De qualquer modo, obrigado.

domingo, 1 de junho de 2014

Faço-me tão mal.

Devia haver uma palavra que exprimisse a ideia de uma outra palavra ser usada no sentido figurativo e literal em simultâneo. É tão bom quando isso acontece. Satisfaz-me plenamente encontrar estes pequenos pormenores que por vezes surgem na língua portuguesa.

É demasiado difícil
Falar sobre mim
Sem envolver os outros

É demasiado fácil
Não envolver os outros
Não envolver as outras
Figurativa e literalmente

Um dia finjo bem
Um dia finjo só
Um dia finjo que só
Me sinto bem

Vou tentar envolver-me
Vou tentar não os envolver
Vou tentar pincelar aqui pensamentos
Mascarados de alguma coisa

Não hoje, não amanhã
Que tenho muita coisa para fazer

Apesar de não fazer
Pão nosso de cada dia
Pão nosso que amolecia
Em vez de endurecer

Pão cada vez mais fresco
Cada vez mais claro
Que se eu também quero amassar pão
Eventualmente vai-me sair caro

-

Dou pulos de alegria
Dentro da minha cabeça
Se vejo que alguém se lembrou de mim
Mesmo que eu não mereça
Especialmente se eu não mereço
Mas disso esqueço-me eu cedo
Por momentos perde-se o medo

O medo de estar agora no mesmo sítio
Quem é decente, omite-o
Não tenho medo da indecência
Apenas da constante permanência

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Parvo da merda, pá.

És um parvo da merda, tu.
Não é desculpa a mente aberta
Desces a mão esquerda, o cu
Não a aceita como oferta

Queres tudo já de repente
Não curtes aguardar
Pensas sempre em toda a gente
Percorres o espaço a procurar
Passas o tempo a evitar
Usar mesmo a tua mente
Tenta decifrar algo diferente
Tenta talvez não tentar

Admito que fizeste bem o começo
Nunca tiveste tanta coragem
O conceito de passar a mensagem
É algo que não mais me esqueço

Depois estragas todo o esforço que tiveste
A tua perna não chega para o passo que deste

Ai não

Vou então pensar nisto todos os dias
Sendo uma das memórias mais frias
De um sítio com calor

Será a recordação eterna
De como me tornei parvo da merda
De como me tornei um estupor

De como me tornei inergúme
De como apaguei o lume
De algo que podia ser porreiro

De algo nunca entediante
De algo intelectualmente desafiante
De algo somente verdadeiro

sábado, 3 de maio de 2014

Restos. Podres.

Não curto desta atitude, deste comportamento
O fingimento e a fuga à sanidade
Às vezes colaboro, esqueço o diacernimento
Depois penso que merda esta, já não tenho idade

Parece uma competição em que não há vitórias
Apenas faz-se isto para criar novas histórias
Que a vida sóbria é aborrecida mas não suficiente
Há que ser parvo quando muita gente está presente

E se o pessoal mudasse o compartimento
Que controla e orienta todo o argumento?
Encontraria algo tão mais puro e correcto
Mas é pena que este algo não seja muito concreto

Isto é só hipocrisia e azia

domingo, 27 de abril de 2014

...sqn

Não é surpresa nenhuma

Escrever isto
Para garantir
Que não sou mal entendido
Que não sou mal interpretado
Para banir dúvidas que se possam ter criado

Jorrar emoções falsas
Para fingir que sou quem veste as calças

Não há ciúmes
Só inveja
Ninguém almeja nenhuma das duas
Cenas destas
Cenas cruas

Inveja de não estar longe
Nojo desta vida de monge
Disponho do despojo
Sentida a saudade

Resta aguentar o peso da consciência
Ter o mínimo de elegância
Manter-me à distância
Não das pessoas mas das cenas
Não são assim tão pequenas
Como finjo acreditar

As usual...

Estou dormindo no sofá
Com quem não partilha sua habitação
Por muito mais que eu peça
A resposta é sempre "não"

Mesmo que ela pense no assunto
Mesmo que durme junto dela
Espero que não mude a opinião
Que ela sabe mais do que eu
O que é preciso para me manter são

"Ela" pela primeira vez
Não é a pessoa amada
Sei que não há duas sem três
Mas é a pessoa preocupada

Preocupada sem saber disso
Que a terceira não se importa
Esta evita o compromisso
A terceira não deixa a esperança morta

É necessário o homicídio
Não da pessoa mas da esperança
A quebra desta dança
Não chega o interlúdio

Obrigado pela ajuda, companheira
Não sei se propositada
Abre caminhos nesta estrada
Faz-me esquecer a primeira

Só que não
Caga na opinião
Quebra a obstipação
Caga tanto, não lhe dá atenção

Todos os esforços não premiditados
Não chegam para deixar sentimentos atordoados
Jurei que não repetia este ano
Menti-me tanto, é melhor baixar o pano

Que esta peça não interessa nem nunca interessou
A quem faz a promessa consciente, esquecer o que passou
O que não teve fim nem início, o que nunca se provou
Só te provei a ti, sabes do que se falou

Já passaram vários meses, provoco-te eu e tu a mim
Se fizesses a pergunta diria novamente que sim
Que sou tão simples de entender, os outros são assim-assim
Se houvesse mesmo começo não haveria fim

MAS É MELHOR ESQUECER
HÁ TANTO MUNDO PARA VER
PARA PROVAR
PARA APROVAR
PARA COMPROVAR
QUE NÃO ÉS A ÚNICA PARA ME PÔR UM SORRISO NA BOCA
QUE NÃO ÉS A ÚNICA A PROVOCAR UMA PAIXÃO MAIOR DO QUE POUCA

Mas isto não interessa, vamos andar nesta jiga-joga mais tarde ou mais cedo, só  engano a mim. Ou não há mais nada, não sou o rei da verdade. Foda-se. Foda-se indeed.

(não devia estar a colocar isto aqui, peço desculpa se percebem, não quero ferir suscetibilidades, mas foi depois de certa noite intranquila. Gostei do que foi escrito apesar de linear e fácil de descortinar. Posso estar errado, também, não levem isto à letra. Peço desculpa, mais uma vez #meaculpa)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Antigo e atual

Ter não é mais do que querer
Que é tanto como fazer
Fazer pouco de quem faz muito
Faz tudo menos sentido

Fazeres de conta que também sentes
Deixa-me aborrecido

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Aquele calor esquisito

Já chegou aquela altura
Em que durmo com uma perna meio destapada
Em que tudo o que eu faço para fugir resulta em nada
Fugir ao calor abrasador que quando chega, perdura
Não perdoava no dia claro
Não tão claro que não perdoe na noite escura

Dá-me insónias
Dá-me vontade de escrever e começar a comparar
O calor físico ao calor que me faz transpirar
O calor que está nos pensamentos, nas memórias
Mais a sua falta que o calor em si
A falta de calor que despoleta as minhas histórias

Destapo metade da perna direita
Na esperança de arrefecê-la ao ponto
Em que acho um equilíbrio que me deixa pronto
Para adormecer e entrar na seita
Que me deixa estar perto de ti
Algo que anseio e me deleita

O calor que espero encontrar
Quando adormecer e estar finalmente contigo
Aquela vírgula que costuma ser ponto por ser só teu amigo
Não admira que vá ter dificuldade em acordar
Se as razões que me fazem estar deitado
São tão melhores que aquelas que me levam a levantar.

Mas quando me levanto
Saio de casa e te vejo algures durante o meu dia
Te vejo muito mais longe do que aquilo que eu queria
Acontece algo que me causa espanto
Sinto um calor tão quente, tão superior a tudo mais
Mais quente que a comida feita à pressa quando janto
Mais quente que os ouvidos das pessoas quando canto

Quente, essa palavra que sem querer dizer tanto

Me enche de certo modo até chegar aos meus aposentos
Em que tenho que por meia perna de fora do edredão
Tentar apanhar o mais subtil dos ventos
Para compensar teres estado presente no meu campo de visão

sábado, 5 de abril de 2014

Outro dia 1

Gosto bué de dizer que o dia em que estou é o dia 1. Inicialmente obrigava-me a mudar alguma coisa, quer fosse uma dieta ou começar a observar as coisas de outra maneira. Mas entretanto criei uma imunidade em relação a isso. Dantes não chegava ao dia 2. Agora não passo do dia 0. Fico estagnado. Deixo uns lembretes, tipo este, mas que na verdade não influenciam muito.

Isto era mais Diário de Sofia
Que Diário de Anne Frank
Agora a minha atitude tornou-se fria
Já nem quero que a ferida estanque

Mas tenho esperança nas palavras
Aí é tudo um mar de rosas
Quer sejam poemas ou prosas
Que se lixem as palavras

Espero pela chapada que me ponha em sentido
Espero sentado, tenho-me permitido
Ser personagem é fazer a viagem
Sem voltar nem ter ido

Se um dia me der a chapada
Acordo efectivamente
Vivo o dia um, o dois, o resto dos dias
Por enquanto sou inconsequente

Ser pertinente já esteve perto
Agora parto tarde para as conclusões
Só me faz é mal

quarta-feira, 26 de março de 2014

Reguengos de Monsaraz é muita nice.

Não sei se é karma, se é azar
Mas é chato de qualquer modo
Só porque disse que não me incomodo

O destino vinga-se e atrasa
A estadia lá em cima
Tanto geográfica como metaforicamente

Isto é só um desabafo
Vou ver se volto ao trabalho
Se eu ralhasse menos comigo mesmo
Talvez não sofresse represálias

E o giro é que isto apareceu out of the blue
Nem sequer rima nem tem ritmo
Nem faz sentido nenhum
E nem é suposto

Plot twist
Não há plot twist.

Omg sou tão meta
Vénias para mim

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dia 1

As pessoas a dançar
E eu, e a luz
E o ritmo sincopado
E eu preocupado
Não sei com o quê

A ver se não me acontece uma síncope
Que isso é mau
Já me doi a garganta
Já é aborrecido

Sempre me diverti
Mas nunca achei divertido
E tenho sempre aquele buraco
Que a cerveja não enche

Aquele buraco
Que ninguém preenche

terça-feira, 18 de março de 2014

11 de Março, parte II - 18 de Março

Isto de ter títulos com piada não é para todos...

E já nem vou falar de subtítulos...

Lol, paradoxos...

Prosseguindo...

Melhor, começando
Como quem diz
Começar começo sempre
Todos os dias começo por ser feliz

Acordo confortável
Na cama que não fiz
Tive a sorte de ter familía
Que concordou com o que quis

E mais importante
Quando não concorda
Faz questão de o dizer
Não é como quem acorda
Sem saber o que fazer
Tipo eu

Depois penso que lá no fundo
Nada disto é felicidade
É divertido aqui e ali
Já posso dizer onde, tenho idade

Tenho idade para tudo
Menos responsabilidade, contudo
Com tudo a acontecer
Mal tenho tempo para ser

Estamos, viajamos
Pelas memórias que deixamos
Nos outros, de lado
E o tempo está sempre tão ocupado
E nós nunca
Viajamos, ficamos para trás

Chega esses momentos divertidos
Para por sorrisos na cabeça
E as tristezas no fundo
Profundo, mas não é que se esqueça

Divertimento é riso
Felicidade são lágrimas

Talvez não comece todos os dias por ser feliz
Mas penso que começo todos os dias a ser feliz
Baby steps

Não sou optimista não porque não quero
Mas porque sei
Que no copo meio vazio
Cabe mais cerveja

E esta merda do "Divertimento é riso / Felicidade são lágrimas"? Profundo como o caralho, am i right?

terça-feira, 11 de março de 2014

11 de Março

É mais um dia
O tempo passa
O tempo escassa
E a energia

Fico na mesma
Os meus poemas
Nunca fogem
Dos mesmos temas
Tenho pena

Tenho sono
Sem cansaço
O tempo escasso
Não me chega

Para adquirir
Certa vontade
Para fluir
Na tempestade

Que é a norma
É o costume
Mas nunca me habituei
Talvez nunca me habitue

Lutar contra o ciclo circadiano
É aquele algo mais de ser humano
Que ser mais do que ser homem
É mania dos tempos de jovem

Mas há sempre um certo egoísmo
Se não é por ser mais, é ser crescido
Chegar a um estado velho
Cansado de não ter vivido

E a vontade é sempre de adormecer
Voltar horas depois, de visão funcional
Achar que agora vou ser racional
E nunca o ser
Nem mente, nem coração
Só mente quem dá a opinião

Já conhecem os lobitos?

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Chorando

Chorando por dentro
Que por fora é melhor não
Que estes sintomas que sinto
Significam regressão.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Aqueles sorrisos que são alguma coisa.

Mais amor pelo desconhecido
Do que pelo que está aqui à mão
Faz de mim triste, desenxabido
Sem sequer ter a noção

Ser irmão já não interessa
Amigo menos, muito menos
Ser par, somente par
Se alguém nos visse a dançar

Parto para outra sem chegar
À primeira efectivamente
Não há metas por cortar
Nem coração nem mão quente

Ousaria perguntar um dia
Um dia sem estar consciente
Se sou tão nada como és para mim
Tão nada que vejo tudo lá no fim

Fim da vida que contrasta
Com o fim do relacionamento
Não há fim, nada basta
Para arranjar o aquecimento

Aquecimento central
Coisas finas dos imóveis
Imóvel fico eu a passar ao teu lado
Imóvel por dentro, no cérebro, calado

Boa tarde, como tem passado?

Off topic, acho que estou a ficar velho, começo a aperceber-me que as pessoas que fazem vídeos para o youtube ou crónicas para jornais estão a expressar opinião. Não é verdade absoluta. Nem meio absoluta. Às vezes tenho opinião sobre as coisas, não sei.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Há noites e noites

Estas noites

Odeio estas noites

Começam bem
A matar saudades
Com risos e olhares
E uma chuva de recordações

Eu vou no carro, tu vais naquele
Dantes íamos a pé, ou à boleia
Falamos do que acontece, o que muda
Dantes ríamos, e mantemos a tradição

Com a testerona que a Casa confere
E sem o estrógenio de outrora
Bebe-se porque sim, porque boi
E sinto que a noite já demora

Não há espaço no carro, tens que ir a penantes
Chego e mato mais saudades
E parece que está tudo como estava dantes
Apesar do aumento das idades

E tenho conversas que fazem sentido
Lembro-me de coisas que tinha esquecido
Coisas que devo ter arrumado na estante
Mas para quem importa é também importante

Faço novas amizades um pouco mais sérias
É pena que acabem já as férias
Por mim era disto sempre que saio
(mas cuidado com isso, sou propício ao desmaio)

Acaba a noite, matamos o bicho
Com comida sintética, desaparece a larica
E sentado, no quentinho, faço uma introspeção
Apesar da boa noite, nada disto me fica

Mesmo com risos, olhares, momentos faustosos
Sobremesas no fim da refeição, para os mais gulosos
Fica um vazio de emoções dentro de mim
Mesmo com o muito aguardado "long time, no see"

Mas não me levem a mal, percebam
Vocês são as pessoas que valem a pena
Disso tenho sempre a certeza
Fui eu que mudei, provavelmente
Eu que pensava que nunca aconteceria
Mas convenhamos, eu penso em demasia

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Valentino

Às vezes ando pensativo
Muitas vezes sextas à noite
Quando estou no meu lugar cativo
Na cama, a ver séries que nem gosto

Podia estar contigo
Podia estar noutro sítio
Mesmo sendo só amigo
Digo isto meio desolado

Que há bocado foi dia de ter namorada
Foi dia de estar num parque ou assim
Passear de mão dada
Ter uma alma gémea
Fêmea fofa, multimédia
E estar a ver séries giras
E fazer coisas sérias
Com o mínimo de comédia


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Muda que muda

Usufruir desta vida
Antes de esperar pela próxima
Aproveitar todas estas vantagens
Não pago mais por isso
O corpo paga
Com desconto

Estamos em época de saldos
Durante toda a existência
Nós é que não sabemos

Há isto tudo, há tanta coisa
E metade do dia nem pensamos
Nem fazemos
Ou pensamos e fazemos o que não importa
Nunca se desperta
Nunca desperta em nós
Aquilo

Aquilo que só muda depois de um filme
E dura uma semana
Tops

Aquilo que só muda depois de um livro
Faz-nos mudar
Depois acaba

Acaba por voltar ao mesmo
Mesma dormência
Não há ciência
Só eterna paciência
Para o que não vale a pena

E digo estas merdas enquanto vou intercalando com o facebook, lol. Hipocrisia, e tal. Faz o que eu digo, não faças o que eu faço, e tal. Porra.

sábado, 25 de janeiro de 2014

os iogurtes no lidl são estupidamente baratos

És um fruto silvestre
Eu sou o mestre do engano
Pelo menos o chefe do grupo
Para chegar ao topo
É preciso ter estofo

Não és um morango
Que o morango é mainstream
E tu és especial
Não leves a mal
Quando olhei para ti ri-me

Não és um mirtilo
És pequena mas mais clara
És tão mais rara
É uma história que não pára
Ainda nem sequer começou

Já falei da cor
Também não podes ser amora
Já falei de cor
Coro quando penso que é amor
Sei que para isso ainda demora

Não tens hipótese, não falta muito mais
Não tenho bem a certeza
Mas penso em ti quando me falta a destreza
Apesar destas metáforas não serem muito leais
Eu sou, e tu és uma framboesa

Isto fez sentido? Claro que não. Mas curto bué de iogurtes. E estou a andar debaixo da chuva molha-parvos com um chapéu de chuva na mochila. Sabe tão bem. Sabe mesmo bem. Como suponho que saibas.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Tenho uma ferida que não sara
Jorra sangue, nunca para
Malditos os meus trombócitos
Gostam tanto como eu do ócio

Ócio, vício, diversão
Nunca estão fora de questão
Tenho exame amanhã às dez
Vou só à segunda fase, pela segunda vez

Mas sinto que começo a entrar nos eixos
Talvez seja tarde para mudar o desfecho
Pára, é melhor ter esperança
É melhor esquecer a dança

Dar outro tipo de passo
Aproveitar o tempo escasso
E fazer o que devo fazer
E deixar de me comprometer

E viver no dia em que estou
Não querer descobrir quem sou
Só assim descubro então
O que se passa com o meu coração

Não posso estar a ser muito concreto
Que os poucos leitores debaixo deste tecto
Depois de lerem isto sabem o que sinto
Sabem também o quão bem minto

No lado de fora, na vida real
A vida que podia ser brutal
Se eu me deixasse de rodeios
Esquecer os fins, olhar para os meios

E sarava a ferida, sem àgua oxigenada
Um sorriso na tua cara rosada
É remédio para qualquer doença
Um dia fazemos a diferença

sábado, 18 de janeiro de 2014

Riachos-Torres Novas-Golegã

Um dia saio
Parto em viagem
Apanho o comboio
Para uma qualquer paragem

Isto é tudo literal
Não procurem metáforas
Quando chegar às metáforas aviso
Não metam a carroça à frente dos bois

Isto dos bois já foi uma metáfora
Prosseguindo

Um dia saio daqui
Levo uma guitarra comigo
Entro no regional
Sem dinheiro, não há perigo

Saio de lá quando me mandarem embora
Canto uma modinha à beira da estrada
E apanho boleia se der
E apanho chuva se for preciso

Se alguém me der pão agradeço
Se alguém me der abrigo agradeço mais
Parto em busca do que não conheço
Para descobrir cenas pessoais

Cenas sobre mim, sobre os meus
Que só vejo com a distância

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Curto de cenas

Curto de cenas em geral
Curto de cenas mais concretas
Tipo tu
Mas um dia faço outro poema sobre ti

Curto de vídeos de gatos
A pensarem que são gajos
Como gajas curtem de gatos
Metafòricamente

Curto quando uma gaja pensa
Qual é o gajo mais promissor
E depois esquece tudo
Para escolher aquele onde se pôr
Metafòricamente
Ou não

Curto de programas de televisão
Essencialmente de tudo
Talvez a única excepção
Seja o programa que outra pessoa quer ver
Aí mudo

Sou um bocado má pessoa
Curto dizer que o sou
A ver se dizem que não
E assim sorrio

Curto de dizer que vou fazer cenas
Mudar cenas, principalmente
Baby steps, cenas pequenas
Raramente tenho a mente
A vontade para essas cenas

É amanhã
Que eu vou dizer cenas
Que eu vou curtir cenas
Talvez acorde, não sei

umdejaneirodedoismilecatorze

Tenho andado a atrasar isto
Não tenho tido a coragem
De pensar no que passámos
E prestar uma homenagem

Nem sei quando te conheci
Talvez há quatro ou cinco anos
E logo gostei de ti
Éramos algo mais que humanos

Tu e o teu caderninho
Com tudo o que ias fazer
Tu e o teu carinho
E eu aqui para receber

Receber e retribuir
E tocar klezmer às vezes
E eu esquecia-me dos acordes
De dois em dois meses

Já não te via há um tempo
E agora vejo-te tanto
Foi tudo tão de repente
Senti mais raiva do que espanto

Estás algures a olhar para o mundo
E a rir-te com esse riso idiota
E a escrever no teu caderninho
A tua imaginação não esgota

Estás algures a olhar para o mundo
De onde quer que estejas

Estás algures a olhar para o mundo
E eu só quero que vejas

Deste-me o meu apelido
Que ainda hoje ninguém mo tira
Tal como a certeza que estás aqui
Junto de nós, Elvira