domingo, 28 de abril de 2013

Mais uma Crónica Ferroviária. Íamos em quantas?

Foda-se, olhem só aquele título! Não é todos os dias que vemos um "i" maiúsculo com acento! Se não pusesse pontos de exclamação isto faria muito mais sentido! Temos pena!

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Salto

Procurei por ti
Entre florestas, pinhais
Não te encontrei
Por ti nunca demais

Talvez não estivesses lá
É o que faz mais sentido
Eu não te dei a mão
Fiquei aborrecido

É cedo, já foi mais
Mais cedo não volta a estar
Mesmo assim vão sobrar coisas
Para amanhã procurar

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Ontem

Isto é só um ping-pong psicológico
Um Pyongyang mais ilógico

Uma Reiquejavique sem vulcões
Um rei que já vi que acumula funções

Acumula também cálculos
Biliares, renais
É o que dá não beber muitos líquidos
Ou beber outros a mais

Isto já foi demasiado longe
Mas o hábito não faz o monge

Por isso relaxo, descanso
Durmo oito horas, é saudável
Em suma, fico manso
E também vulnerável

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Luta

A luta que vejo, luto
Disputo por alguma coisa
Aborto logo
Só porque me farto

A luta que vejo, trago
Estrago perdoando
Ninguém me segue quando
Luto por algo vago

O luto que vejo, sinto
Resultou de um nada exponencial
Já ninguém leva a mal
Quando solenemente minto

sábado, 20 de abril de 2013

30''

Atrasado atrasei-me
Apanhei o comboio à rasca
Apanhei o metro à justa
E o que mais me custa
É não vir pela estrada

Dizes que há amor
Mas não sei se hesito
Pouco sinto
Mais pressinto
Que o coração
É um recinto
E não permite expansão

Segue-se a exclusão
De metade de uma pessoa
A ver se há espaço
Mesmo que doa
Fica a sensação
De que valeu tudo a pena
Riscar tudo com um traço

Um tranço de bondade
Não me chega isso
Não chega a isso
Não chega a tanto
Tão pouco
Um traço de bondade

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Podreza de espírito sob uma lua de cimento

Capto emoções, sensações
Como se fizesse sentido
Faço de conta, faço pouco
Facilmente fico deprimido

Choro pelos cantos, dentro de mim
Não partilho com o mundo
Mantenho no mesmo sítio
O que me afeta lá no fundo

E nunca sai de lá
Nunca saiu, nunca sairá
A verdadeira dor de existir
Que nem é assim tão má

É não existir efetivamente
Pelo menos na plenitude
Mas tento integrar-me na mesma
Manter uma certa atitude

Capto emoções, sensações
Deito fora, não consigo
Acreditar no que é verdade
Basta bem o meu umbigo

Mas não é de propósito, penso
Demasiado, penso apenas
Gostava de sentir a sério
Mais que emoções pequenas

Mais do que rir, chorar
Porque sim, porque não
Porque nada faz sentido
Porquê, por que razão?

Acaba tudo, volta ao mesmo
Ou que nem chega a começar
O lamento do costume
Sem nunca o descortinar

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Química Analítica / Pedofilia

Apercebo-me antecipadamente
Que por muito que eu marre
Nunca hei de perceber a equação
De Henderson-Hasselbalch

A culpa é só minha, bem sei
O Segurado não é tão mau assim
Só no final da frequência saberei
Isto se sequer chegar ao fim

Não sei calcular o pH
Quer de ácidos quer de bases
Não sei o que é um tampão
Citando o Taveira: "Estudasses!"

Ui, uma citação
Agora a porra ficou séria
Além disso, a exclamação
Era fixe era saber a matéria

Não sei deduzir uma equação
Nem sei quais tenho que deduzir
Tenho um feeling que a solução
É o Segurado seduzir
Não sei se ele está virado
Muito para este lado
Mas era um fail e não um win
Neutralizar-lhe a solução
If you know what I mean.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

só mais cinco minutos

Estou perdido neste mundo
Que não só é meu como não
Que não só é mau como são
As pessoas na rua que olham de lado

Para quem fez tudo
Para não ter nada
Vida à rasca, mal passada
Menos na tasca, bem regada

Mal regada é a flor que brota
Por entre as pedras de uma calçada
Mesmo assim tem força, a marota
De aparecer onde não é chamada

E depois cortam-na
Sem dó nem piedade
Porque é a ré que assume a vontade
De ser onde não devia ser

Ser, existir
Morrer, dormir
Pertencer a algum lugar
Para acordar, arrepiar

Para abalar a fugir
Recordar, recortar
Partir é ficar
Se esquecer já é sumir

Em suma, concluo
Pena a da pobre cativa
O pior de uma flor estar murcha
É ainda estar viva.