domingo, 18 de novembro de 2012

Crónicas Ferroviárias #03

Porquê?
Porque estou aborrecido, claro!
Quando é que há uma razão minimamente forte...?
E talvez porque tenha visto alguém giro.
É também uma boa razão.

Sorri, fiz rir
Dormi menos que dormir
Decentemente
De mente, estou calmo
Demente também, no entanto
Não é tanto por ter sido pouco
Foi mais que o costume
Foste menos que o costume
Mas mais longe
Mais que longe
Fora de qualquer sítio
Considerado longe
E fico siderado
Com plexos
Complexos
De longe
De cima a baixo
Abaixo a vontade de querer
E não poder
E crer
Que ainda é possível ter
Passível é acessível
Acesso ao complexo educacional
É difícil arranjar
Fazer arranjos
De arrojo
Não dá com nada

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Se eu soubesse mais mais cedo

Passou mais um dia
Mais uma vez
Não vou dormir
À hora que queria

É tarde
E estou a ser literal
Está escuro
Menos carros passam
Devo ser normal
Porque dormir pouco para mim é duro
Ao menos fosse mais maduro

Eles nos filmes
Arranjam tudo o que querem
Eu quero crer que é só no ecrã
Mas amanhã
Acordo a querer tudo
Como se fosse fácil

Tomara as vidas serem filmes
E os filmes serem vidas
E estarmos sentados
No sofá no nosso filme
A ver vidas na têvê
Porque queríamos
E mais tarde ou mais cedo acontecia o que é suposto acontecer

Por aqui não há guião
Pelo menos eu não tenho
Nem sequer esforço, empenho
Trago na minha mão vazia

Por isso vejo a vida passar

Faço o que não gosto
Quando sequer faço
Conheço todos os dias novas faces
Que me causam embaraço

Embarco na nuvem
Que me leva ao mesmo lugar
Mas a nuvem levou-me o gosto
E a vontade de gostar

Não sei para onde levou
E nem sequer me interessa
Só quero que pareça
Que sorrio mesmo e não tenho pressa

Claro que tenho pressa
De sair daqui, ver algo diferente
Ver algo que desconheço
Quer de trás ou de frente

E hei-de encontrar isso
Mais tarde ou mais cedo
Mais longe ou mais perto
No dia e que acordar sem medo
Quando estiver mesmo desperto

Desperto e disposto
A abraçar o negativo
A abandonar o meu posto
E ser mais activo

Ser mais activo que nada
Não será complicado
Passa-me sempre tudo ao lado

Ao lado ou pelo meio logo
Não há meio de sentir
Começo logo a deprimir
Não há fogo para apagar
Nem haveria fontes para apagá-lo

E que tal acabar com:
Isto está a ficar grande e a mancha gráfica não deve estar má e engana preguiçosos. Além disso tenho que ir dormir e estou aborrecido. Isto teve sequer uma sequência lógica?

Pode ser?

Ok.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Olhos que penetram
Assim do nada

Olhos tristes
Sobrancelhas duvidosas
Fazem olhos duvidosos

E quando eles olham
Penetram
Assim do nada

Sinto-me culpado
Por fazer tudo o que não devo
Não devo nada a ninguém
Menos a mim

E não pago
Não presto contas
Só presto atenção
Ao que não devia prestar

Não quero estar a meter
Naquilo que não percebo
Mas ultimamente
Não tenho percebido nada

É mais difícil

Dantes não era
Era linear

Sinto que existe
E não existe
Restos de quê?

Implícito
Não está implicito
Êxodo não era mal pensado
Sumia, subia, daqui para ali

Mas não resolvia nada

Eles penetram
Assim do nada
Eu sem reacção

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Neura

Gosto da palavra "neura"
Embora não goste do seu significado
Dou-me às vezes com ela
Como quem se dá com o namorado

Aparece-me de repente
Faz-me uma espécie de surpresa
Ao início parece engraçado
Mas não quando me torno a sua presa

E mando vir com ela
E ela manda vir comigo
Eventualmente vamos a ver
Já sou só um amigo

Mas eu da neura
Nem amigo quero ser
Ela serve essencialmente
Para me fazer sofrer

E olha para mim
E ri-se com isso
Esquece-se rapidamente
Do seu compromisso

Em suma, eu e a neura
Nunca nos damos bem
Esforço-me tanto
Menos quando ela vem

Este poema
É no mínimo imbecil
E é destes que as pessoas gostam
Novecentas em cada mil

Porque rima mais ou menos
E é ritmado quando tu lês
Mas é merda
Lá está a neura outra vez

domingo, 4 de novembro de 2012

Aqui tens. Satisfeita?

Ouço a minha mãe através da porta
Lá está ela a tossir outra vez
Agora manda vir com o meu irmão

Já cheguei
Apesar de não querer entrar
Quem havia de querer?
Um rapaz que quer escrever
Imaginando, feliz, o presente e o passado
Mas também o futuro, mas mal-humorado

Acho que todos os meus sentimentos são imortais. Mas mesmo todos.

Tarde demais
É tarde demais
Mas eu não me importo
Não rio nem choro

Estou neutro
Como habitualmente
Agora ouço barulho
Só porque quero
Não desespero

Porque o barulho
E a força que aguento
Sabem bem

Lembro antigas conquistas
Não preciso de pistas
E lembro-me bem

Preciso de alguém
Que diga "Esquece o passado
Estares enamorado
E outras coisas também"

Estou parado há 10 minutos
Perto do teu lar
Não é preciso serem astutos
Para saberem de quem estou a falar

Vai-me chuva para a face
E para o sapato
Só o esquerdo
Não fujo
Do que é suposto ser

Tenho saudades
De ver-te todos os dias
E quando percebias
Que só tu existias
Mesmo sem te conhecer

Ainda te devo um croissant