quarta-feira, 31 de julho de 2013
"nunca se sabeee!!!"
Se pudesse, proliferava por aí
Se pudesse prometer, não o faria
Porque confio cada vez menos em mim
Confio cada vez menos porque digo
Diariamente, "tenho que mudar"
Não só não mudo como aumento o tempo
Que passo preso em mim próprio a divagar
Há quem queira ver novelas
Creio nem querer tê-las
Percebê-las não pretendo
Mas o que isto faz é promovê-las
E não passa disto, peco pouco
Porque pouco é quanto eu quero arriscar
Pesco tão perto quanto posso
(Não, nem isso)
Nunca estarei pronto para tentar
domingo, 28 de julho de 2013
Segundo Epílogo
Isto não vai ser epopeia
No máximo será uma trama
Na qual sou única personagem
A efectuar a viagem
Não há cá conversa de cama
Com muita pena minha
O que fica para a história
É só a dor, não a glória
E uma ou outra paquiderme magrinha
Isto não é Mêda, bebé
Muito menos a Courtney Lavre
Uma mulher que em gomos se abre
E se esquece de quem é
Não sou psicólogo
Estou mais perto de animal
Tenho pena de haver ponto final
E não ter havido um prólogo
Mas agora mais a sério
O desalento começa a pairar
Quero manifestar contra os crimes
De não ter o amor como nos filmes
Nem o bisturi neste film noir
Mas se de repente tudo se move
Para o fim em alfama
Levanto-me da minha cama
Sou como os cães de Pavlov
Isto já nem fez muito sentido
Queria só prestar homenagem
A quem me faz fazer uma viagem
Com destino definido
Não pude sábado à tarde
Estou lá domingo à noite
Nem que por lá pernoite
Se for um pouco cobarde
Serei ninguém então
Já que ninguém pedia o encore
É pena é não saber de cor
As letras que vivem com consagração
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Inutilidade
Uma brisa nas costas
Dispostas a esfriar
Quanto é que apostas
Que daqui a umas horas
Começo a espirrar?
Não interessa, é passageiro
Daqui a nada acordo como novo
Não serei eu o primeiro
Nem serei o herdeiro
Só um elemento do povo
Vou ver um filme bom
A ver se isto passa
Não gosto do tom
Isto de não ter um dom
Faz de mim uma desgraça
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Férias #13
Mais um dia sem fazer nada
Não apetece limonada
Não está assim tão abafado
Férias são médias a tender para más
Atender telefonemas de números desconhecidos
Fazer música só para os meus ouvidos
Música que nada de novo traz
Ainda não sei se houve catarse ou não
Mas de vez em quando penso nisso
Tenho que fazer um dia um compromisso
Um daqueles sem ser em vão
Em termos amorosos nada diferente
Já que isto está a parecer um diário
É isso, tem estado tudo ordinário
Só disse uma coisa no outro dia porque estava contente
Isto não é suposto ser nada de especial
É só para dizer que estou vivo
É que nem me lembrei de nada para rimar com "vivo"
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Pré-Catarse III
A pouca esperança diminui mais
Não sei entregar-me ao necessário
E se me entrego passo por otário
Estúpido, parvo e outros que tais
Esqueçamos isso, são coisas banais
Isto não é propriamente um diário
Dava-me jeito aqui um dicionário
Na conse arranjar rimas naturais
Mas faltam quinze horas para o futuro
Só aproveito duas p'ra estudar
Mais um pseudo-presságio para o fim
Isto está a tornar-se concreto, duro
É fazer rimas e tentar disfarçar
A dor de conhecer cedo o meu fim
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Pré-Catarse II
Um passo para a frente e dois p'ra trás
Faço um veneno só para o provar
Tomo-lhe o gosto e torno a tomar
As minhas decisões são sempre más
Só mais um esforço depois fico em paz
Só relativa tenho que mudar
Faltam dois dias para descansar
Até comprar uma alma a Satanás
Tenho receio do próximo ano
Dobro o número e ainda falta
Isto se tudo correr como quero
Se não correr não vou baixar o pano
Não vou estar naquele jornal de Salta
Mas também não faço uma à Antero
Pré-Catarse I
É bom este sonho enquanto durar
Mas se me esqueço de acordar cedo
Chego atrasado, não fujo ao medo
De me despedir antes de chegar
Se porventura conseguir ficar
Entenderei o que quer dizer ledo
Chego a horas, até levanto o dedo
Se algo não conseguir descortinar
Além disso falta o mais importante
Conhecer aquele alguém parecido
Que sem saber esteve sempre perto
Talvez tenha estado sempre distante
Mas por agora esqueço o bom partido
Torno literal o livro aberto
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Shaken, not stirred
Da direita
No referencial
Mais comum
Por aqui
Vem para perto
Perco o senso
Somente outrora
O conheci
Olá, bom dia
Sorrio, derreto
Ruborizado
Cumprimento
Até disfarço
Ninguém nota
À direita fica
Permanece
Permanece
Já sem metáfora
E tudo é bom
Por segundos
São momentos
Só momentos
Roedores
Do coração
Decoração
Barata
A maioria
Constata
Boa tarde, adeus
Boa tarde, a dois
Só resta depois
Todo o resto