Gosto da palavra "neura"
Embora não goste do seu significado
Dou-me às vezes com ela
Como quem se dá com o namorado
Aparece-me de repente
Faz-me uma espécie de surpresa
Ao início parece engraçado
Mas não quando me torno a sua presa
E mando vir com ela
E ela manda vir comigo
Eventualmente vamos a ver
Já sou só um amigo
Mas eu da neura
Nem amigo quero ser
Ela serve essencialmente
Para me fazer sofrer
E olha para mim
E ri-se com isso
Esquece-se rapidamente
Do seu compromisso
Em suma, eu e a neura
Nunca nos damos bem
Esforço-me tanto
Menos quando ela vem
Este poema
É no mínimo imbecil
E é destes que as pessoas gostam
Novecentas em cada mil
Porque rima mais ou menos
E é ritmado quando tu lês
Mas é merda
Lá está a neura outra vez
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
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